17 de Janeiro de 2013 / às 23:46 / em 5 anos

Clérigo paquistanês encerra protestos após concessões do governo

Por Mubasher Bukhari e Mehreen Zahra-Malik

ISLAMABAD, 17 Jan (Reuters) - Um clérigo muçulmano com histórico de laços com os militares, que tem pressionado o governo paquistanês a renunciar, chegou a um acordo nesta quinta-feira com a administração que lhe dará espaço no processo eleitoral antes das eleições.

Muhammad Tahirul Qadri provocou uma crise política ao motivar protestos em massa na capital há quatro dias exigindo reformas eleitorais para limpar a política paquistanesa.

Ele tem defendido que os militares desempenhem um papel na formação do governo interino durante os preparativos para as eleições previstas para os próximos meses.

“Nós chegamos a um acordo”, disse Qadri, que apoiou um golpe militar em 1999, a apoiadores acampados perto do Parlamento. “Alá nos concedeu uma vitória e agora vocês podem ir para casa.”

Qadri persuadiu o governo a dissolver o Parlamento antes da data prevista, em 16 de março, para que as eleições, agendadas para maio, possam acontecer no prazo de 90 dias, e também a discutir reformas eleitorais, de acordo com uma cópia do acordo divulgada por seu porta-voz.

Uma fonte do governo e funcionários do governista Partido Popular do Paquistão disseram que a demanda de Qadri para que o Exército seja consultado sobre a composição do governo interino havia sido rejeitada.

Mas ficou acordado que a coalizão de governo e seu partido devem chegar a um “consenso total” sobre a proposta de um primeiro-ministro interino.

A aparição de Qadri na linha de frente da cena política do Paquistão tem alimentado especulações de que o Exército, com sua longa história de envolvimento na política, tacitamente endossou sua campanha a fim de impor mais pressão sobre um governo que vê como inepto e corrupto. O Exército nega.

O clérigo, que vem proferindo longos discursos inflamados de trás de uma caixa de vidro à prova de balas por causa de sua oposição aos militantes do Taliban, tem muitos seguidores que apoiam sua caridade religiosa, que tem escritórios em 80 países.

Mas ele também atrai os paquistaneses de classe média e baixa desiludidos com a política dinástica.

Mais cedo nesta quinta-feira, o governo do Paquistão sentiu algum alívio após o chefe da agência estatal de combate à corrupção ter rejeitado uma ordem da Suprema Corte para prender o primeiro-ministro, Raja Pervez Ashraf.

Na terça-feira, a Corte ordenou a prisão de Ashraf por alegações de corrupção em transações envolvendo usinas alugadas quando ele serviu como ministro de Energia, o que ele nega.

O Secretário Nacional de Prestação de Contas, Fasih Bokhari, disse à Suprema Corte que as investigações das denúncias contra Ashraf estavam incompletas.

O tribunal pediu a Bokhari para produzir históricos de casos para que pudesse decidir se há provas suficientes para processar o primeiro-ministro. O caso foi adiado até 23 de janeiro, informaram os juízes.

Reportagem adicional de Katharine Houreld

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