18 de Janeiro de 2013 / às 14:47 / 5 anos atrás

Estrangeiros continuam reféns no Saara

Pessoas aguardam no exterior de um hospital em In Amenas, Algéria para saber o destino de seus parentes que foram tomados como reféns por militantes islâmicos. 18/01/2013Ramzi Boudina

Por Lamine Chikhi e Abdelaziz Boumzar

ARGEL, 18 Jan (Reuters) - Pelo menos 20 estrangeiros continuam desaparecidos ou em cativeiro nesta sexta-feira dentro de uma usina de gás depois que tropas argelinas invadiram o complexo numa região de deserto na Argélia para libertar centenas de pessoas feitas reféns por insurgentes islâmicos.

Mais de um dia depois da ação militar argelina nos confins do Saara, ainda há muitas dúvidas sobre o número e o destino das vítimas, para desespero e irritação dos governos que têm cidadãos envolvidos na crise.

Os relatos sobre o número de reféns mortos na ofensiva variam de 12 a 30, e muitos estrangeiros continuam sem ser localizados.

O primeiro-ministro da Noruega, Jens Stoltenberg, que tem oito compatriotas desaparecidos, disse que insurgentes ainda controlam a usina de gás propriamente dita, enquanto as forças argelinas dominam o alojamento vizinho.

Líderes da Grã-Bretanha, Japão e outros países criticaram a Argélia por ter lançado a operação sem consultá-los. Muitos países também evitam divulgar informações sobre seus cidadãos capturados para não ajudar os sequestradores.

Uma fonte argelina de segurança disse que 30 reféns, incluindo pelo menos sete ocidentais, foram mortos durante a ação militar da quinta-feira, junto com pelo menos 18 sequestradores. Oito dos reféns mortos eram argelinos, e a nacionalidade dos demais ainda não está clara, segundo essa fonte.

Já a agência estatal de notícias APS contabilizou 12 reféns mortos, entre argelinos e estrangeiros.

A Argélia disse que decidiu atacar os sequestradores porque eles estavam tentando levar reféns para o exterior.

O norueguês Stoltenberg disse que algumas pessoas mortas em veículos bombardeados não puderam ser identificadas. "Devemos nos preparar para más notícias neste fim de semana, mas ainda temos esperança."

O engenheiro norte-irlandês Stephen McFaul, que conseguiu escapar do local, disse ter visto quatro caminhões cheios de reféns sendo explodidos pelos militares argelinos.

O incidente, uma das mais graves crises internacionais com reféns nas últimas décadas, representa uma dramática escalada do conflito no vizinho Mali, onde na semana passada forças francesas iniciaram uma intervenção contra insurgentes islâmicos.

Militantes envolvidos na ocupação da usina argelina disseram à imprensa da vizinha Mauritânia que agiram em retaliação ao envolvimento francês no Mali e também por causa da autorização de Argel para que aviões da França usassem seu espaço aéreo na operação.

"SITUAÇÃO FLUIDA"

O sequestro colocou várias capitais ocidentais em modo de crise.

"Estamos lidando com uma situação fluida e perigosa, onde uma parte da ameaça terrorista foi eliminada em uma parte do local, mas ainda há remanescentes da ameaça em outra parte", disse o primeiro-ministro britânico, David Cameron, ao Parlamento do seu país.

Uma fonte argelina disse que 100 de 132 reféns estrangeiros teriam sido liberados. Mas outras estimativas dão conta de um número maior de desaparecidos. Antes, a mesma fonte havia dito que 60 estrangeiros não haviam sido localizados. Alguns podem estar como reféns e outros podem estar escondidos no enorme complexo.

Dois japoneses, dois britânicos e um francês estão entre os sete estrangeiros que tiveram a morte confirmada na ofensiva militar, segundo a fonte argelina ouvida pela Reuters. Um cidadão britânico havia sido morto já no momento da invasão dos militantes, na madrugada de quarta-feira.

Entre os ainda desaparecidos nesta sexta-feira há dez cidadãos do Japão e oito noruegueses, segundo seus empregadores, e um número de britânicos que Cameron estimou serem em um número "significativamente" inferior a 30.

A França disse não ter informações sobre dois franceses que poderiam estar no local, e Washington disse, sem entrar em detalhes, que há vários norte-americanos no local. A fonte disse que uma aeronave dos Estados Unidos pousou nesta sexta-feira nos arredores da usina.

Os militantes inicialmente declararam ter 41 ocidentais como reféns. Alguns ocidentais conseguiram se esconder dos sequestradores.

Eles viviam entre centenas de empregados argelinos da usina. A agência estatal de notícias disse que o Exército resgatou 650 reféns, sendo 573 argelinos.

"(O Exército) ainda está tentando alcançar um 'resultado pacífico' antes de neutralizar o grupo terrorista que está entrincheirado (na usina) e libertar um grupo que ainda é mantido como refém", disse a agência, citando uma fonte de segurança.

Reportagem de Ali Abdelatti, no Cairo; de Eamonn Mallie, em Belfast; de Gwladys Fouche, em Oslo; de Mohammed Abbas, em Londres; e de Padraic Halpin e Conor Humprhies, em Dublin

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