Islamistas do Mali são mais resistentes do que a França previa, dizem diplomatas

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013 15:36 BRST
 

Por Louis Charbonneau

NAÇÕES UNIDAS, 18 Jan (Reuters) - Os confrontos iniciais das tropas francesas com militantes islâmicos no Mali têm mostrado que os combatentes do deserto são mais bem treinados e equipados do que a França tinha previsto antes da intervenção militar da semana passada, disseram diplomatas franceses e de outros países na ONU.

A percepção de que a luta nas semanas --ou meses-- à frente poderia ser mais sangrenta do que o previsto pode tornar os países ocidentais ainda mais relutantes em se envolver ao lado da França. No entanto, as autoridades francesas esperam congregar seus aliados na ação, dizem diplomatas.

"O custo do fracasso no Mali seria alto para todos, não apenas o povo do Mali", disse um diplomata africano na quinta-feira. Como os outros diplomatas, ele falou sob anonimato para discutir questões militares e diplomáticas sensíveis.

A captura de dezenas de pessoas na vizinha Argélia, onde as tropas argelinas lançaram uma operação militar para resgatar os reféns militantes islâmicos "obstinados" em um complexo de exploração de gás no deserto, também levanta a possibilidade de que a violência dos radicais islâmicos possa se transformar numa bola de neve para além das fronteiras do Mali.

Os diplomatas deram a declaração depois que as forças francesas tiveram seus primeiros confrontos com os combatentes islâmicos nos últimos dias. A guerra terrestre pareceu seguir numa escalada na quinta-feira, quando as tropas francesas cercaram Diabaly, encurralando rebeldes que haviam tomado a cidade havia três dias.

"Nossos inimigos estavam bem armados, bem equipados, bem treinados e determinados", afirmou um diplomata francês.

"A primeira surpresa foi que alguns deles estão se mantendo no local", disse ele, acrescentando que os outros tinham fugido durante seis dias de ataques aéreos franceses destinados a deter a ofensiva dos militantes e impedir a tomada da capital do Mali, Bamako.

Os franceses, forças do Mali e de países africanos estão enfrentando uma coalizão islâmica que inclui o braço da Al Qaeda no Norte da África, o grupo Ansar Dine local e militantes de um grupo islamista do oeste da África.   Continuação...

 
Um veículo militar de Mali atravessa uma ponte estratégica sobre uma represa no rio Níger protegida por forças francesas em Markala, Mali. 18/01/2013 REUTERS/Joe Penney