Líder islamista do Mali ajudou Alemanha em 2003, diz revista

domingo, 20 de janeiro de 2013 15:50 BRST
 

BERLIM, 20 Jan (Reuters) - O líder do Ansar Dine, um grupo islamista ligado à Al Qaeda no norte do Mali, já foi um parceiro confiável do governo alemão e intermediou a libertação de reféns em 2003, disse a revista Der Spiegel neste domingo.

Iyad Ag Ghali, um comandante separatista tuaregue, recebeu o pedido de Berlim para negociar com os sequestradores argelinos em 2003 pela libertação de 14 turistas sequestrados no Saara, inclusive nove alemães, pagando a eles mais tarde um resgate de 5 milhões de euros fornecidos pela Alemanha, acrescentou a Spiegel.

Ag Ghali era "nosso homem", teria dito uma ex-autoridade alemã, segundo a Spiegel. O Ministério das Relações Exteriores não quis comentar.

A França enviou soldados para o Mali e seus caças bombardearam colunas e bases rebeldes, parando o avanço dos islamistas. A intervenção tem por objetivo evitar que os militantes reforcem seu controle da zona desértica no norte do Mali e usem a região como base para ataques na África e no Ocidente.

A região foi ocupada por uma mescla de pistoleiros desde que os rebeldes fortificados com armamento, que pegaram da Líbia depois da queda de Muamar Gaddafi em 2011, pegaram em armas no ano passado.

Citando a agência de inteligência alemã (BND), a Spiegel disse que o governo do Mali esperava negociar com os islamistas através de Ag Ghali, mas os esforços terminaram com o avanço dos rebeldes que provocou a intervenção militar francesa.

(Reportagem de Alexandra Hudson)

 
Iyad Ag Ghali (direita), líder da organização Ansar Dine, foi parceiro confiável do governo alemão. Na foto, é visto com o ministro das Relações Exteriores da Burkina Faso, Djibril Bassole. 07/08/2012. REUTERS/Stringer