Eleitorado israelense castiga Netanyahu, mas o mantém no poder

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013 16:42 BRST
 

Por Alistair Lyon

JERUSALÉM, 23 Jan (Reuters) - Benjamin Netanyahu se pôs nesta quarta-feira a forjar uma nova coalizão, depois de ser castigado nas urnas por sua aliança com os judeus ultraortodoxos e empurrado na direção de um partido centrista recém-formado.

A eleição de terça-feira cristalizou as reivindicações de que o governo dê mais atenção a questões concretas do que aos interesses dos radicais religiosos. Questões de política externa, como os planos nucleares do Irã e as aspirações palestinas, ficaram em segundo plano.

Disputando em coligação com o ultranacionalista Yisrael Beitenu, o partido Likud, de Netanyahu, elegeu 31 dos 120 deputados do Knesset (Parlamento), segundo dados quase definitivos da apuração, que deve terminar na quinta-feira.

Essa é a maior bancada do Parlamento, embora com 11 deputados a menos do que na legislação anterior.

Enfraquecido, Netanyahu sinalizou a intenção de ampliar sua coalizão, incluindo partidos de centro-esquerda e dando-lhe um caráter mais moderado.

Isso pode ajudar a atenuar os atritos dos últimos anos entre Netanyahu e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que também iniciou um novo mandato nesta semana e que pretende evitar uma ação militar de Israel contra o Irã e promover a retomada do processo de paz entre israelenses e palestinos.

"A probabilidade de um governo puramente de direita diminuiu, junto com as dores de cabeça que isso causaria a Obama", disse David Makovsky, do Instituto de Washington para a Política do Oriente Próximo. "Então há uma chance melhor de que Netanyahu encontre um 'modus vivendi' com os Estados Unidos."

"DIVIDIR O ÔNUS"   Continuação...