Dois anos depois, Benghazi ameaça "outra revolução" na Líbia
Por Marie-Louise Gumuchian
BENGHAZI, Líbia, 31 Jan (Reuters) - Anoitecia em Benghazi e um som familiar ecoou por esta cidade do leste da Líbia: uma explosão e depois tiros. Uma bomba acabava de ser atirada contra um carro de patrulha, ferindo um policial.
Foi o mais recente de muitos ataques às forças de segurança locais. Dois meses antes, o homem encarregado de dar segurança a Benghazi, seu chefe de polícia, foi morto em frente à sua casa.
Dois anos depois de a segunda maior cidade líbia iniciar a rebelião que derrubou o regime de Muammar Gaddafi, ela virou símbolo de uma revolução popular que assumiu rumos sombrios, com milícias rivais e pistoleiros islâmicos sendo mais poderosos que a polícia e levando moradores a se perguntar: onde está o Estado?
"Imagine uma cidade tomada por milicianos, quando tudo o que você deseja é apoiar o Estado", disse o ativista Mohammed Buganah. "As pessoas se sentem inseguras. Elas estão muito chateadas com isso."
Já houve ataques a diplomatas e missões internacionais, inclusive a morte, em 11 de setembro, do embaixador norte-americano, em meio a uma crescente onda de sequestros, explosões e assassinatos, principalmente de funcionários de segurança.
A anarquia, junto com o lixo nas ruas e outros problemas nos serviços municipais, agrava a sensação de que Benghazi é negligenciada por Trípoli, a capital, que fica no oeste. Tal impressão reacendeu as reivindicações de autonomia para uma região que concentra a maior parte da riqueza petrolífera líbia.
"Todos estão cada vez mais preocupados com o leste da Líbia", disse uma fonte diplomática. "As coisas estão se deteriorando seriamente."
Reinstaurar a segurança básica em toda a Líbia é uma prioridade, especialmente em Benghazi, berço da revolta contra Gaddafi, mas hoje uma cidade vista como reduto e trampolim para a militância islâmica outrora reprimida pelo ditador. Continuação...

