January 31, 2013 / 9:49 PM / 4 years ago

Dois anos depois, Benghazi ameaça "outra revolução" na Líbia

3 Min, DE LEITURA

Por Marie-Louise Gumuchian

BENGHAZI, Líbia, 31 Jan (Reuters) - Anoitecia em Benghazi e um som familiar ecoou por esta cidade do leste da Líbia: uma explosão e depois tiros. Uma bomba acabava de ser atirada contra um carro de patrulha, ferindo um policial.

Foi o mais recente de muitos ataques às forças de segurança locais. Dois meses antes, o homem encarregado de dar segurança a Benghazi, seu chefe de polícia, foi morto em frente à sua casa.

Dois anos depois de a segunda maior cidade líbia iniciar a rebelião que derrubou o regime de Muammar Gaddafi, ela virou símbolo de uma revolução popular que assumiu rumos sombrios, com milícias rivais e pistoleiros islâmicos sendo mais poderosos que a polícia e levando moradores a se perguntar: onde está o Estado?

"Imagine uma cidade tomada por milicianos, quando tudo o que você deseja é apoiar o Estado", disse o ativista Mohammed Buganah. "As pessoas se sentem inseguras. Elas estão muito chateadas com isso."

Já houve ataques a diplomatas e missões internacionais, inclusive a morte, em 11 de setembro, do embaixador norte-americano, em meio a uma crescente onda de sequestros, explosões e assassinatos, principalmente de funcionários de segurança.

A anarquia, junto com o lixo nas ruas e outros problemas nos serviços municipais, agrava a sensação de que Benghazi é negligenciada por Trípoli, a capital, que fica no oeste. Tal impressão reacendeu as reivindicações de autonomia para uma região que concentra a maior parte da riqueza petrolífera líbia.

"Todos estão cada vez mais preocupados com o leste da Líbia", disse uma fonte diplomática. "As coisas estão se deteriorando seriamente."

Reinstaurar a segurança básica em toda a Líbia é uma prioridade, especialmente em Benghazi, berço da revolta contra Gaddafi, mas hoje uma cidade vista como reduto e trampolim para a militância islâmica outrora reprimida pelo ditador.

O ministro do Interior, Ashour Shuail, apontou a cidade como parte do gigantesco projeto que é a construção de uma polícia eficaz. "A segurança está melhorando e os ataques estão diminuindo", disse ele no começo de janeiro. "Não está tão ruim quanto já esteve."

Mas, semanas depois, a cidade litorânea com quase 1 milhão de habitantes cogita declarar um toque de recolher.

Outro ativista, que não quis se identificar, disse que "não há ninguém totalmente no controle de Benghazi". "As brigadas controlam as entradas da cidade, as ruas, a infraestrutura principal. A polícia não quer desafiá-las, porque simplesmente não tem pessoal para isso."

Reportagem adicional de Ghaith Shennib, em Benghazi; de Hadeel Al-Shalchi e Ali Shuaib, em Trípoli

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below