Na Espanha, Justiça lenta favorece Rajoy

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013 15:30 BRST
 

Por Fiona Ortiz

MADRI, 5 Fev (Reuters) - Os procedimentos tortuosos do sistema judicial espanhol, e uma oposição política fraca, significam que as alegações de corrupção não devem tirar o primeiro-ministro Mariano Rajoy do cargo.

O alvoroço na mídia e alguns protestos de rua ajudaram a levantar dúvidas entre os investidores sobre o futuro do governo, elevando os custos de empréstimo numa época em que a prioridade era a de poupar dinheiro e pagar as dívidas para protelar a insolvência.

Embora as renovadas dificuldades econômicas possam aumentar os problemas de Rajoy, a relutância de seus adversários em investigar práticas de financiamento comuns a todos os partidos, dúvidas se os pagamentos, por mais dúbios, foram formalmente ilegais, e o atraso crônico nos tribunais espanhóis significam que o primeiro-ministro tem pouco a temer dos promotores.

Rajoy, de 57 anos, negou qualquer irregularidade.

E um membro no Parlamento do Partido Popular (PP), do premiê, resumiu a confiança no PP, dizendo que atrasos iriam conter o problema: "Apesar de todo o barulho político, não acho que isso vá causar instabilidade para o governo ou o partido", disse.

"É um assunto que não terá nenhuma conclusão rápida".

O analista de investimento Alastair Newton, da Nomura em Londres, também vê pouca ameaça urgente à estabilidade do governo. "Além disso", ele escreveu em uma análise nesta terça-feira, "se os promotores espanhóis decidirem que há um caso a responder, é provável que isso leve alguns anos para provar, ou não, qualquer irregularidade".

Fernando Jimenez, cientista político especialista em corrupção da Universidade de Murcia, observou que dezenas de casos de corrupção envolvendo todos os principais partidos vêm se arrastando pelos tribunais há anos: "Todo mundo sabe que há poucas condenações em casos de corrupção, então se tem essa sensação de impunidade", disse.   Continuação...

 
Manifestantes se aglomeram diante da sede do Partido Popular, do premier Mariano Rajoy, segurando cartazes nos quais se lê "Rajoy, demissão", em Madri. Os procedimentos tortuosos do sistema judicial espanhol, e uma oposição política fraca, significam que as alegações de corrupção não devem tirar o primeiro-ministro Mariano Rajoy do cargo. 04/02/2013 REUTERS/Susana Vera