Cúpula islâmica insiste em projeto de transição na Síria

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013 15:33 BRST
 

CAIRO, 5 Fev (Reuters) - Líderes de nações islâmicas pedirão um diálogo entre a oposição síria e autoridades do governo "não envolvidas na opressão" que termine com os dois anos de guerra civil, de acordo com um esboço do comunicado visto pela Reuters nesta terça-feira.

A declaração, que deve ser divulgada depois de uma cúpula de dois dias dos 56 membros da Organização de Cooperação Islâmica (OCI) no Cairo a partir de quarta-feira, não menciona o presidente sírio, Bashar al-Assad, e joga a maior parte da culpa sobre seu governo pela violência persistente.

O texto, debatido por ministros das Relações Exteriores em uma reunião preparatória nesta terça-feira, surge depois que o líder da oposição síria, Moaz Alkhatib, se ofereceu para encontrar o vice de Assad para negociar uma maneira de acabar com o banho de sangue, que segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) já matou ao menos 60.000 pessoas.

"Condenamos de maneira veemente o banho de sangue continuado na Síria e destacamos a responsabilidade primária do governo sírio pela violência constante e a destruição de propriedade", segundo o esboço do comunicado.

"Expressamos profunda preocupação com o desgaste da situação, a frequência crescente de assassinatos que ceifa a vida de milhares de civis desarmados e a perpetração de massacres em cidades e vilarejos pelas autoridades sírias."

Não ficou claro se o aliado da Síria, Irã, que está presente na cúpula da OCI, iria apoiar as palavras duras.

No entanto, Alkhatib, líder da Coalizão Nacional Síria, fez sua oferta de negociações depois de reuniões com ministros das Relações Exteriores da Rússia e do Irã, os dois principais aliados de Assad, em uma conferência de segurança na Alemanha.

A OCI suspendeu a afiliação da Síria em agosto, citando a repressão violenta de Assad à revolta.

O esboço da cúpula pedia que as forças da oposição síria acelerassem a formação de um governo transitório "e se preparassem para assumir a responsabilidade política total até a conclusão do processo de mudança política desejado".   Continuação...