Rússia explora operários imigrantes em sede olímpica, diz ONG

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013 10:30 BRST
 

Por Sonia Elks

MOSCOU, 6 Fev (Reuters) - Operários imigrantes que participam das obras para a Olimpíada de Inverno de 2014 em Sochi, no sul da Rússia, estão sendo enganados no pagamento dos seus salários e não recebem alimentação, moradia e descanso adequados, disse uma entidade de direitos humanos nesta quarta-feira.

Um funcionário do governo russo disse que as acusações da organização Human Rights Watch (HRW), com sede em Nova York, são exageradas, e que o governo monitora atentamente os direitos dos trabalhadores.

A HRW divulgou seu relatório enquanto o presidente russo, Vladimir Putin, visitava Sochi para inspecionar os preparativos, a um ano do início da Olimpíada de Inverno.

Segundo a ONG, mais de 16 mil imigrantes chegaram a Sochi, na costa do mar Negro, na esperança de conseguir trabalho -- principalmente nas obras olímpicas.

Em um relatório que se baseou em entrevistas com 66 operários, a HRW disse que eles enfrentam "consistentes padrões de abusos" em empregos mal pagos. O texto diz que esses operários são oriundos da Armênia, Quirguistão, Sérvia, Tadjiquistão, Uzbequistão e Ucrânia.

"As pessoas trabalham, não são pagas e vão embora. Aí chega um ônibus e descarrega um novo grupo de operários para repetir o ciclo", disse um trabalhador ucraniano citado no relatório.

O texto diz que os operários imigrantes estão particularmente vulneráveis porque sua permanência na Rússia depende de eles terem emprego. Os patrões muitas vezes deixam de entregar cópias das autorizações de trabalho e outros documentos, e ameaçam denunciar os operários às autoridades como imigrantes ilegais, segundo o relatório.

O grupo pediu que o Comitê Olímpico Internacional (COI) tenha um papel mais ativo na preservação dos direitos humanos dos operários.   Continuação...