6 de Fevereiro de 2013 / às 20:59 / 5 anos atrás

Cúpula islâmica começa com apelo por diálogo na Síria

Por Shaimaa Fayed e Paul Taylor

CAIRO, 6 Fev (Reuters) - Líderes de nações muçulmanas abriram na quarta-feira uma reunião de cúpula no Cairo fazendo um apelo por uma solução negociada na guerra civil síria e dando um novo protagonismo ao presidente islâmico do Egito, apesar das turbulências domésticas que ele enfrenta.

A reunião dos 57 países da Organização da Cooperação Islâmica começou num dia em que o assassinato de um importante político tunisiano salientou a fragilidade das revoluções democráticas da Primavera Árabe no norte da África.

O presidente da Tunísia, Moncef Marzouki, cancelou sua viagem ao Cairo por causa do assassinato do político laico Shokri Belaid, que desencadeou protestos nas ruas.

Outro fato chamativo da cúpula de dois dias no Cairo é a presença do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. Ele se tornou o primeiro chefe de Estado iraniano a visitar o Egito desde a revolução islâmica de 1979 no Irã.

Mas o fato dominante é mesmo a crise na Síria. Em discurso ao plenário, o presidente egípcio, Mohamed Mursi, pediu ao “regime governante” de Damasco que aprenda as lições da história e não tente colocar seus interesses acima dos da nação, pois governantes que fazem isso inevitavelmente terminam derrotados.

Mursi pediu a todos os países da OCI que apoiem a oposição síria em seus esforços para se unir e promover uma mudança.

Houve intensos combates na quarta-feira, marcando o início de uma ofensiva rebelde após um momento de relativa calma no conflito, segundo ativistas da oposição.

Antes, Ahmadinejad disse a jornalistas egípcios que não poderá haver solução militar para essa guerra civil, e encorajou o governo e a oposição da Síria a estabelecerem um diálogo.

“Felizmente na Síria no momento as questões entre as duas partes - a oposição e o governo - estão se encaminhando para o estabelecimento da ideia de diálogo e de uma conversa”, disse Ahmadinejad -um dos principais aliados do governo de Bashar al Assad- ao jornal Al Ahram.

No domingo, um líder oposicionista sírio, Moaz Alkhatib, disse que estava dispostos a se reunir com o vice de Assad, Farouq al Shara, para uma negociação de paz. O governo sírio não se manifestou.

Os líderes de Egito, Turquia e Irã se reuniram paralelamente à cúpula para expressar apoio à iniciativa de paz, segundo um porta-voz da presidência egípcia.

Diplomatas disseram, no entanto, que a influente Arábia Saudita, apoiadora dos rebeldes, não participou do encontro. Durante a cúpula, o príncipe saudita Salman disse que o regime sírio está “cometendo crimes feios” contra seu povo, e que o Conselho de Segurança da ONU deveria agir para “finalizar a transição de poder”.

Rússia e China, que têm poder de veto no Conselho e são aliadas de Assad, bloqueiam essa iniciativa.

Um esboço de comunicado final da cúpula ao qual a Reuters teve acesso culpa o governo de Assad pela maior parte da violência na Síria e pede a ele que inicie a negociação para uma transição política. Diplomatas disseram que o Irã se opôs aos termos do documento, e pediu que ele distribuísse as responsabilidades de forma mais equilibrada.

Reportagem adicional de Tom Perry, Marwa Awad e Asma Alsharif no Cairo, Khaled Yacoub Oweis em Amã e Tarek Amara em Tunis

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