Crise na Tunísia se agrava após anúncio de dissolução do governo

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013 17:26 BRST
 

Por Tarek Amara

TÚNIS, 7 Fev (Reuters) - Políticos islâmicos contestaram nesta quinta-feira a decisão do seu líder, o primeiro-ministro Hamdi Jebali, de dissolver o gabinete depois do assassinato de um influente oposicionista, crime que motivou as maiores manifestações populares no país desde a revolução de 2011.

Manifestantes incendiaram uma delegacia na cidade de Kelibia e a sede do partido governista Ennahda, um grupo islâmico moderado, em Túnis. Nos arredores do Ministério do Interior, policiais usaram gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes, e pelo menos sete pessoas ficaram feridas em Gafsa. Uma multidão saqueou lojas de aparelhos eletrônicos na cidade de Sfax.

Novos distúrbios podem acontecer na sexta-feira, quando sindicatos planejam uma greve geral em protesto pelo assassinato do político laico Chokir Belaid. Seu funeral, no mesmo dia, deve ser outro foco de protestos.

Um assessor de Hussein Abassi, líder da maior central sindical tunisiana, a UGTT, disse que ele recebeu uma ameaça de morte após anunciar a greve geral, a primeira no país em 34 anos.

Temendo mais violência, muitas lojas de Túnis fecharam às 14h (11h em Brasília), e a França, ex-potência colonial, disse que fechará suas escolas em Túnis na sexta-feira e no sábado.

Jebali, do partido Ennahda, anunciou na noite de quarta-feira que irá nomear um gabinete provisório composto por tecnocratas em substituição a ministros do seu partido islâmico moderado. Ele também disse que convocará eleições assim que for possível.

Mas dirigentes do Ennahda disseram que Jebali não consultou o partido, o que indica que o grupo islâmico está profundamente dividido a respeito da demissão do gabinete.

"O primeiro-ministro não pediu a opinião do seu partido", disse o vice-presidente da agremiação, Abdelhamid Jelassi. "Nós, do Ennahda, acreditamos que a Tunísia precisa de um governo agora. Vamos continuar as discussões com outros partidos sobre a formação de uma coalizão de governo."   Continuação...

 
Um homem lê um jornal local, cuja capa mostra uma foto do líder de oposição da Tunísia Chokri Belaid num quiosque em Túnis. 7/02/2013 REUTERS/Zoubeir Souissi