Milhares acompanham funeral de líder oposicionista morto na Tunísia

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013 13:46 BRST
 

Por Tarek Amara e Alistair Lyon

TÚNIS, 8 Fev (Reuters) - Dezenas de milhares de tunisianos saíram às ruas nesta sexta-feira, em meio a atos esporádicos de violência, para acompanhar o funeral do líder da oposição secular Chokri Belaid, cujo assassinato aprofundou a crise política na Tunísia.

Enfrentando chuva fria, pelo menos 50 mil pessoas compareceram ao enterro de Belaid em seu distrito natal de Jebel al-Jaloud, na capital, entoando slogans anti-islamistas e contra o governo.

Foi o maior funeral da Tunísia desde a morte, em 2000, de Habib Bourguiba, líder da independência e primeiro presidente do país.

A Tunísia, berço das revoltas da chamada Primavera Árabe, está mergulhada em tensão por causa das disputas entre grupos islamistas, que têm maioria, e seus oponentes seculares, bem como pela frustração com a falta de progresso social e econômico desde a deposição do presidente Zine al-Abidine Ben Ali foi deposto, em janeiro de 2011.

"O povo quer uma nova revolução", gritavam participantes do funeral, em Túnis, que também cantaram o hino nacional.

Uma multidão se reuniu ao redor de um carro aberto do Exército que levou o caixão de Belaid, envolto na bandeira vermelha e branca da Tunísia, de um centro cultural em Jebel al-Jaloud para o frondoso cemitério de Jallaz, ao mesmo tempo que um helicóptero das forças de segurança sobrevoava o local.

A polícia lançou gás lacrimogêneo e disparou tiros para o ar para dispersar jovens que estavam quebrando carros perto do cemitério, forçando alguns participantes do funeral a fugir da fumaça sufocante. A polícia também usou gás lacrimogêneo contra manifestantes em frente ao Ministério do Interior.

"Belaid, descanse em paz, vamos continuar a luta", gritava a multidão, segurando retratos do político morto perto de sua casa, na quarta-feira, por um pistoleiro que fugiu em uma motocicleta.   Continuação...

 
Pessoas em luto carregam caixão do líder da oposição assassinado Chokri Belaid durante procissão do seu funeral em direção ao cemitério de El-Jellaz, em Túnis. 08/02/2013 REUTERS/Anis Mili