Emirados já receberam mais de US$ 8 bi de países da Primavera Árabe

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013 12:17 BRST
 

DUBAI, 11 Fev (Reuters) - Cerca de 8,2 bilhões de dólares vindos de países envolvidos na Primavera Árabe foram depositados nos últimos dois anos nos Emirados Árabes Unidos, disse o primeiro-ministro do país na segunda-feira.

"Recebemos 30 bilhões de dirhams da Primavera Árabe, mais ou menos", disse o xeique Mohammed bin Rashid al Maktoum, que é também o governante de Dubai, em resposta a uma pergunta de um membro da plateia durante um fórum de autoridades governamentais.

Grandes volumes de dinheiro foram retirados de Egito, Tunísia, Síria, Iêmen e outros países árabes depois das revoltas políticas desde o começo de 2011. Por causa da sua estabilidade política e do status de Dubai como um centro internacional de negócios, os Emirados atraíram grande parte desse capital. A estimativa citada pelo xeique Mohammed é aparentemente a primeira estimativa pública feita por uma autoridade de alto escalão.

Mas ele negou que os Emirados estejam se beneficiando com a Primavera Árabe, já que a estabilidade em outros países do norte da África e Oriente Médio beneficiaria toda a região, inclusive os Emirados.

"Se tivéssemos paz e estabilidade, teríamos mais de 30 bilhões vindos desses países", disse Mohammed.

Ele não especificou como esse dinheiro todo entrou no país, mas acredita-se que uma parte tenha vindo como depósitos bancários de curto prazo, e uma parte como investimentos diretos em empresas e imóveis.

O mercado imobiliário de Dubai começou a se recuperar no ano passado de uma crise registrada em anos anteriores, em parte porque investidores estrangeiros viram o emirado como um porto seguro, segundo analistas.

O xeique de Dubai disse também que os Emirados investiram bem mais do que 30 bilhões de dirhams em países conturbados pela Primavera Árabe.

Os Emirados, ricos em petróleo, prometeram bilhões de dólares em ajuda para estabilizar países árabes que tiveram suas finanças desestabilizadas por causa das revoluções. Além disso, empresas locais demonstram interesse em investir no norte da África.

(Reportagem de Martin Dokoupil, Amena Bakr e Mahmoud Habboush)