Calendário político dita discurso de Obama ao Congresso
Por Jeff Mason
WASHINGTON, 12 Fev (Reuters) - O presidente dos EUA, Barack Obama, faz na terça-feira seu discurso anual do Estado da União de olho no calendário político, quando ele corre contra o tempo para aprovar medidas que definam seu legado na Casa Branca.
Três meses depois de ser reeleito, o presidente democrata tenta aprovar projetos significativos em questões de economia, controle de armas e reforma imigratória, mas analistas dizem que ele terá apenas cerca de um ano para fazer isso.
Depois disso, afirmam eles, as atenções de Washington irão se voltar para a eleição legislativa de 2014, que pode colocar mais republicanos no Congresso e acelerar o processo de transformação de Obama em um "pato manco", como são chamados os presidentes que chegam ao fim de mandato sem poderem disputar novamente a reeleição.
"Ele basicamente tem um ano para grandes feitos legislativos, porque depois do primeiro ano você entra nas eleições do meio do mandato, que serão parcialmente um referendo sobre a sua presidência", disse Michele Swers, professora-associada de governo americano na Universidade Georgetown.
O discurso de Obama no Congresso, marcado para as 21h de terça-feira (0h de quarta-feira em Brasília), será uma chance para que o presidente impulsione sua pauta legislativa dentro dessa janela temporal limitada.
"Não quero dizer que será o último discurso importante que ele fará, mas a janela para um presidente em segundo mandato é bastante estreita", disse Tony Fratto, que foi porta-voz da Casa Branca no governo do republicano George W. Bush.
Diante de um desemprego ainda elevado e da iminência de um contingenciamento nos gastos públicos, fontes do governo dizem que Obama usará o pronunciamento, a ser visto por milhões de pessoas pela TV, para pressionar o Congresso a apoiar suas propostas de estímulo econômico.
A Casa Branca está ávida por mostrar que Obama tem tanto compromisso com a economia quanto com as reformas da imigração e do comércio de armas, e a maior parte do discurso deve ser dedicada a um tema que já dominou a campanha eleitoral de 2012: a ajuda à classe média. Continuação...

