Monitores da ONU veem tráfico de armas do Iêmen e Irã para a Somália

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013 12:35 BRST
 

Por Louis Charbonneau

NAÇÕES UNIDAS, 12 Fev (Reuters) - Enquanto os Estados Unidos trabalham pelo fim do embargo armamentista da ONU à Somália, monitores da entidade internacional alertam que militantes islâmicos desse país africano estão recebendo material bélico de redes vinculadas ao Iêmen e ao Irã, disseram diplomatas à Reuters.

As preocupações da equipe de monitoramento de sanções do Conselho de Segurança da ONU sobre as conexões iranianas e iemenitas do grupo islâmico Al Shabaab ocorre num momento em que o governo do Iêmen pede a Teerã para que deixe de apoiar grupos armados em solo iemenita. No mês passado, a guarda costeira do Iêmen e a Marinha dos EUA apreenderam uma carga de mísseis e foguetes que o governo de Sanaa disse ter sido enviada pelo Irã.

Segundo as recentes conclusões dos monitores da ONU, a maioria das armas chega ao norte da Somália - ou seja, às regiões autônomas de Puntland e Somaliland -, e depois são transferidas para redutos da Al Shabaab mais ao sul.

Sob anonimato, diplomatas do Conselho disseram que as armas são transportadas dentro do Iêmen principalmente por redes de somalis. Os dois países são separados pelo golfo de Áden, através do qual é fácil transportar produtos - legais ou ilegais - do Oriente Médio até as regiões de Puntland e Somaliland.

"Em Galguduud (Somália central), a Al Shabaab recebeu armas, inclusive componentes para dispositivos explosivos improvisados", disse um diplomata do Conselho de Segurança, referindo-se a um dos mais recentes relatórios confidenciais do Grupo de Monitoramento da Somália e Eritreia. Vários outros diplomatas do Conselho confirmaram essas declarações.

Outras armas fornecidas incluíam metralhadoras PKM, segundo o relatório mensal dos monitores relativo a janeiro.

"Dado o histórico do Irã, tanto a respeito do apoio ao terrorismo quanto com respeito à proliferação , obviamente não seria surpresa nenhuma para nós se eles agora estivessem tentando estabelecer uma causa comum com a Al Shabaab", disse Victoria Nuland, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA.

De acordo com os diplomatas, os monitores são favoráveis a um abrandamento gradual do embargo armamentista à Somália, e não à suspensão total, como propõem os governos dos EUA e da Somália.   Continuação...

 
Apoiador de um grupo pró-governo é visto com uma metralhadora pesada em uma rodovia na Somália. Enquanto os Estados Unidos trabalham pelo fim do embargo armamentista da ONU à Somália, monitores da entidade internacional alertam que militantes islâmicos desse país africano estão recebendo material bélico de redes vinculadas ao Iêmen e ao Irã, disseram diplomatas à Reuters. 07/10/2012 REUTERS/AU-UN IST PHOTO/Stuart Price/Handout