Padre dissidente austríaco defende processo aberto de escolha do papa

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013 12:32 BRST
 

Por Michael Shields

VIENA, 13 Fev (Reuters) - Um padre dissidente austríaco, cujo pedido para desobedecer alguns ensinamentos católicos provocou uma repreensão do papa Bento 16 no ano passado, pediu aos líderes da Igreja para abandonar seu sigilo e perguntar aos fiéis quem deveria liderá-los.

O reverendo Helmut Schueller, chefe de um grupo de sacerdotes que desafia abertamente as posições da Igreja sobre temas tabu como o celibato sacerdotal e a ordenação de mulheres, disse que a escolha de um sucessor de Bento era uma oportunidade para abraçar o debate público.

Schueller afirma que seu grupo representa 10 por cento do clero da Áustria e possui amplo apoio público à sua promessa de quebrar as regras da Igreja, dando comunhão aos protestantes e católicos divorciados que casam novamente.

"Se as coisas estivessem indo bem, os padres do conclave estariam, no mínimo, indo às bases da Igreja e convocando reuniões para realmente ouvir o que os fieis esperam", disse ele à Reuters em uma entrevista por telefone nesta quarta-feira.

"Eu acho inapropriado este método todo que os cardeais se retiram em seu próprio círculo e algo vaza aqui e ali sobre quem poderia estar sob consideração", disse Schueller, cujo grupo está ganhando cada vez mais atenção no exterior. "A maioria dos fiéis sabe quase nada sobre essas pessoas."

Cerca de 117 cardeais vão participar de um conclave de portas fechadas no Vaticano, em meados de março, para eleger um sucessor de Bento 16, que surpreendeu os católicos do mundo na segunda-feira ao anunciar que deixará o cargo em 28 de fevereiro.

Não há campanhas abertas ou candidatos declarados para o cargo e os cardeais são proibidos pela lei da Igreja de revelar em quem votaram. Muitos cardeais escolhem seu favorito depois de uma série de contatos discretos nos dias anteriores à eleição.

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