Blogueira cubana Yoani Sánchez começa viagem internacional no domingo

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013 18:28 BRST
 

HAVANA, 15 Fev (Reuters) - A dissidente mais conhecida de Cuba, a blogueira Yoani Sánchez, disse que planeja fazer bom uso do que chamou de "a vitória depois de uma longa batalha", quando começar no domingo uma turnê de 80 dias por mais de 12 países.

Yoani recebeu há duas semanas seu passaporte, depois da entrada em vigor de uma nova lei migratória após anos de impossibilidade de viajar por não conseguir em mais de 20 vezes uma permissão de saída exigida pelo governo e vigente por décadas.

Yoani, considerada pioneira de Cuba nas redes sociais, disse à Reuters na quinta-feira que pretendia visitar as sedes do Google, Twitter e Facebook e que viajaria a Brasil, Argentina, Peru, México, Estados Unidos, Espanha, Itália, Polônia, República Tcheca e outras nações.

"No pessoal, acredito que é a vitória depois de uma longa batalha de cinco anos porque foi reconhecido o meu direito de viajar, uma batalha que foi desgastante... para a qual tive que empregar minha energia e paciência, tive que empregar ferramentas jurídicas e jornalísticas e, sobretudo, a solidariedade de muitas pessoas", disse ela, enquanto saía de sua casa para solicitar visto numa embaixada em Havana.

"Me sinto como um corredor que correu os 110 metros com obstáculos, chega ao final da meta cansado, esgotado, mas feliz de ter conseguido", acrescentou.

A blogueira, de 37 anos e residente em Havana, ganhou a ira do governo comunista de Cuba por suas críticas constantes desde seu blog "Generación Y" e por meio da popular rede social Twitter.

Yoani tem dezenas de milhares de seguidores no exterior, mas poucos em Cuba, onde a Internet é controlada pelo governo.

Líderes cubanos consideram os dissidentes como "mercenários" a serviço dos Estados Unidos e de outros inimigos, e blogueiros oficiais regularmente dizem que Yoani responde aos interesses de serviços secretos de países ocidentais.

A blogueira ganhou vários prêmios internacionais por seu trabalho, mas até agora não pôde recebê-los por não ter conseguido permissão para sair do país, o que fará agora, disse.

(Reportagem de Marc Frank)