Milhares marcham em Túnis em apoio a governo islamista

sábado, 16 de fevereiro de 2013 16:24 BRST
 

Dezenas de milhares de partidários do governo liderado por islamistas da Tunísia marcharam na capital do país neste sábado, numa dentre as maiores manifestações pró-governo e da oposição desencadeadas pelo assassinato de um político secular.

A morte de Chokri Belaid, um advogado de direitos humanos e líder da oposição, em 6 de fevereiro, gerou desordem política na Tunísia dois anos após o país ser palco das primeiras revoltas da Primavera Árabe.

Protestos violentos, em que um policial foi morto, varreram a Tunísia após o assassinato, com multidões atacando escritórios do partido islamista Ennahda, atualmente no poder, em Túnis e outras cidades.

Islamistas lançaram contra-marchas, até agora muito menores.

O porta-voz do Ministério do Interior Lotfi Hidouri disse à Reuters que mais de 100 mil participaram da manifestação deste sábado, ou cerca de duas vezes o número de pessoas presentes no funeral de Belaid. Fontes de segurança citaram dezenas de milhares de manifestantes.

Após a morte de Belaid, o primeiro-ministro Hamadi Jebali prometeu formar um gabinete não partidário e tecnocrático para gerir o país até que uma eleição pudesse ocorrer.

No entanto, seu próprio partido, o Ennahda, e um parceiro menor de coalizão não islamista queixaram-se de que Jebali não havia consultado-os antes de fazer as declarações.

Na mais forte reação até agora à proposta, manifestantes islamistas reuniram-se no centro de Túnis neste sábado para apoiar a legitimidade do governo.

"A iniciativa do primeiro-ministro é um golpe contra a legitimidade, que concedeu poder ao Ennahda. É um golpe contra os resultados da eleição", disse o manifestante Omar Salem.

O líder do Ennahda, Rached Ghannouchi, rejeitou a proposta de Jebali de um governo tecnocrata, mas disse que é essencial que islamistas e partidos seculares compartilhem o poder agora e no futuro.

"Qualquer governo estável na Tunísia exige uma coalizão moderada islamista-secular", disse ele à Reuters em entrevista na terça-feira.