Arábia Saudita e Catar pressionam por mais ajuda a rebeldes sírios

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013 14:34 BRT
 

Por Angus McDowall e Regan Doherty

RIAD/DOHA, 20 Fev (Reuters) - A Arábia Saudita e o Catar compartilham a preocupação do Ocidente com o aumento dos grupos aliados à Al Qaeda na Síria, mas consideram que a resposta deve ser o envolvimento dos estrangeiros em apoiar os rebeldes lá.

Os dois países do Golfo Árabe que defendem a saída do presidente Bashar al-Assad parecem estar se irritando com a pressão ocidental para se manterem fora da luta, argumentando que a construção de laços através de ajuda e conselhos para os grupos de oposição é a única maneira de garantir que outras facções islâmicas radicais sejam postas de lado.

Os Estados Unidos e a Europa querem evitar armar milícias rebeldes por medo de que o armamento chegue até grupos muçulmanos sunitas ultra-ortodoxos próximos a jihadistas como a Al Qaeda.

Assad cita tais militantes, muitas vezes vistos como os combatentes mais eficazes nos campos de batalha da Síria, para justificar o uso da força implacável em uma guerra de dois anos, que já custou cerca de 70.000 vidas.

Ataques realizados por esses grupos contra a minoria alauíta, uma ramificação do islamismo xiita que domina o poder da Síria e as estruturas de segurança, têm agravado as divisões sectárias em muitos Estados árabes, incluindo alguns no Golfo rico em petróleo.

Os Estados Unidos listaram em dezembro a Frente al-Nusra na Síria, apoiada pela al Qaeda, como um grupo terrorista.

Mas a Arábia Saudita e o Catar estão sinalizando que quanto mais a guerra se arrastar, mais fortes esses linhas-duras ficarão, enquanto outros grupos provavelmente terão dificuldades se for negada ajuda significativa, de acordo com um funcionário do Golfo Pérsico, analistas e diplomatas.

Políticos árabes do Golfo afirmam que acelerar a queda de Assad vai reduzir a influência dos militantes, e, como bônus, reduzir a influência regional do aliado do líder sírio Irã.