21 de Fevereiro de 2013 / às 19:10 / 5 anos atrás

Partido islâmico Ennahda deve escolher premiê linha-dura na Tunísia

Partidários da agremiação islâmica Ennahda fazem manifestação em Túnis, na Tunísia, na semana passada. 16/02/2013 REUTERS/Anis Mili

TÚNIS, 21 Fev (Reuters) - O principal partido islâmico da Tunísia, o Ennahda, vai escolher um linha-dura para substituir o moderado primeiro-ministro Hamadi Jebali depois que ele se recusou a liderar o próximo governo, disse um dirigente da agremiação nesta quinta-feira.

Jebali, que é secretário-geral do Ennahda, renunciou na terça-feira depois que seu plano para um gabinete tecnocrata apolítico para preparar as eleições fracassou, em grande parte pela oposição de dentro de seu próprio partido e de seu líder, Rached Ghannouchi.

“Jebali se recusou a aceitar a indicação (para próximo primeiro-ministro)”, disse o Ennahda. “Um novo candidato será apresentado ao presidente da república nesta semana.”

O assassinato do líder da oposição Chokri Belaid em 6 de fevereiro mergulhou a Tunísia em sua pior crise política em dois anos, desde a revolta que derrubou o presidente Zine al-Abidine Ben Ali e inspirou os árabes em toda parte a se rebelarem contra governantes autocratas.

O assassinato do esquerdista secular levou os manifestantes para as ruas, expondo as profundas divisões entre os islâmicos da Tunísia e seus opositores liberais e seculares.

Jebali tinha proposto a formação de um gabinete tecnocrata para substituir sua coalizão liderada pelo Ennahda, que incluía dois partidos seculares, para poupar de mais tumultos a nascente democracia da nação norte-africana e sua frágil economia dependente do turismo.

Mas Ghannouchi bloqueou o plano do premiê moderado, e um membro importante do Ennahda disse à Reuters que o próximo primeiro-ministro virá da ala linha-dura do partido, que se opõe a qualquer papel para políticos ligados à era Ben Ali.

Esse integrante listou o ministro da Justiça, Nourredine Bouheiri, o ministro da Saúde, Abdellatif Mekki, o ministro da Agricultura, Mohammed Ben Salem, o ministro do Interior, Ali Larayedh, e o ministro do Transporte, Abdelkarim Harouni, como os possíveis indicados.

“O Ennahda fará uma reunião hoje à noite para escolher um candidato. O próximo primeiro-ministro será um dos nomes da lista”, disse o membro, que pediu anonimato.

PARCEIRO SECULAR

O partido Ennahda ganhou a primeira eleição livre da Tunísia em outubro de 2011 e controla 89 cadeiras na Assembleia Nacional Constituinte de 217 membros, formada com a tarefa de escrever uma nova Constituição.

O presidente secular tunisiano, Moncef Marzouki, pedirá ao primeiro-ministro que forme seu governo em duas semanas.

Ghannouchi disse anteriormente que era vital que os partidos islâmicos e seculares dividissem o poder agora e no futuro, e que seu partido estava disposto a ceder o controle de ministérios importantes, como o de Relações exteriores, Justiça e Interior.

O partido secular de Marzouki, o Congresso para a República (CPR), que tem 29 cadeiras na assembleia e fazia parte da coalizão de Jebali, disse nesta quinta-feira que estava pronto para se juntar ao próximo governo.

“Nosso partido fará parte do novo governo e terá um papel ativo a desempenhar”, disse o porta-voz do CPR, Hedi Ben Abbes, depois de um encontro com Marzouki.

Juntos, o Ennahda e o CPR terão 118 cadeiras, obtendo maioria na assembleia.

Reportagem de Tarek Amara

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