Farc pedem a presidente colombiano para salvar negociação de paz
Por Rosa Tania Valdés
HAVANA, 22 Fev (Reuters) - Os rebeldes das Farc disseram nesta sexta-feira que a atitude hostil do presidente colombiano, Juan Manuel Santos, ameaçava as negociações de paz em Havana e pediram a ele que salvasse as negociações, nas críticas mais duras feitas desde o início das conversas, três meses atrás.
Santos enfureceu os rebeldes no início desta semana quando disse que eles deveriam ser responsáveis por indenizar os milhares de camponeses que foram obrigados a deixar suas terras durante a mais longa guerra de guerrilha- e a única existente hoje - da região.
As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) se consideram as representantes dos pobres do campo colombiano em seus conflitos com os grandes fazendeiros e com as empresas de petróleo e mineração estrangeiras.
"É verdade que na mesa de negociação foi feito importante progresso, mas as atitudes oficiais... ameaçam afundá-lo em um pântano. Vamos tirá-lo de lá agora, Santos", dizia um comunicado do líder das Farc, Rodrigo Londoño, conhecido como Timoleón Jiménez, distribuído em Havana quando as conversas recomeçaram. "Vamos salvá-lo", acrescentava.
Antes nesta semana, as Farc também tacharam o governo Santos de "Pinóquio" por ter prometido reservar uma grande área de terra para os despossuídos.
Respondendo ao comunicado rebelde, o ministro do Interior colombiano, Fernando Carrillo, disse aos jornalistas em Bogotá: "está nas mãos deles tirá-lo do pântano. Que eles parem de sequestrar e atacar os colombianos".
Durante toda a negociação, os dois lados questionaram a sinceridade recíproca e condenaram os bombardeios, sequestros e as ações militares que aumentaram em intensidade nas últimas semanas.
Ao mesmo tempo, o governo, as Farc e intermediadores cubanos e noruegueses disseram que houve progresso na mesa de negociação, sem fornecer detalhes. Continuação...

