Presidente de Cuba brinca sobre sua possível aposentadoria

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013 20:20 BRT
 

HAVANA, 22 Fev (Reuters) - O presidente cubano, Raúl Castro, que deve iniciar no domingo seu segundo mandato de cinco anos à frente da ilha de governo comunista, disse em tom jocoso a jornalistas nesta sexta-feira que planeja se aposentar, mas só não disse quando.

"Vou renunciar", disse Raúl, entre risos, ao receber o primeiro-ministro da Rússia, Dmitry Medvedev.

"Vou completar 82 anos e tenho o direito de me aposentar, não acham? Por que você está tão incrédula?", acrescentou ele durante conversa com jornalistas.

O líder comunista pediu aos repórteres que prestem atenção no seu discurso de domingo à Assembleia Nacional, na sessão que elegerá o Conselho de Estado e o presidente. "É um discurso interessante, compareçam", afirmou, antes de partir com Medvedev.

Raúl, que assumiu a presidência em caráter definitivo em 2008, no lugar do seu irmão Fidel, já propôs limitar os cargos públicos a dois mandatos consecutivos de cinco anos. Seu governo tem sido marcado por reformas econômicas liberalizantes e por medidas que facilitaram viagens de cubanos para fora do país.

Dentro e fora da ilha, personalidades criticam a idade avançada dos principais dirigentes do regime. Mas, apesar de completar 82 anos em junho, Raúl parece estar em boa forma física e lúcido. Especialistas em política cubana, diplomatas e a própria população esperam que ele assuma seu segundo mandato.

"Que ocorra agora ou depois de um segundo mandato, não há vergonha em colocar sobre a mesa os limites do mandato presidencial de Raúl Castro", disse a diretora de estudos latino-americanos do Conselho de Relações Exteriores dos Estados Unidos, Julia Sweig.

"Vejo isso como algo muito de acordo com seu estilo, mas me surpreenderia se no seu discurso de domingo indicasse que não ficará para um segundo período", acrescentou Sweig.

(Reportagem da Reuters TV)

 
O presidente de Cuba, Raúl Castro, caminha após comparecer a evento no monumento ao soldado soviético em Havana, Cuba. 22/02/2013 REUTERS/Enrique De La Osa