24 de Fevereiro de 2013 / às 19:43 / 5 anos atrás

Conservador vence eleição presidencial no Chipre

Por Michele Kambas e Deepa Babington

NICOSIA, 24 Fev (Reuters) - O líder conservador cipriota Nicos Anastasiades conquistou uma vitória esmagadora numa eleição de segundo turno presidencial no domingo, aumentando as esperanças de um resgate rápido financeiro para a ilha quase falida.

O Chipre emergiu como uma grande dor de cabeça para a zona do euro nos últimos meses, provocando temores de que a ilha possa mergulhar em uma crise financeira que reacenda a crise de dívida soberana do bloco. Um resgate mostrou-se complexo nos oito meses desde que as negociações começaram.

Anastasiades, que se comprometeu a chegar a um acordo rápido com os credores estrangeiros, teve 57,5 ​​por cento dos votos, 15 pontos à frente de seu rival apoiado por comunistas Malas Stavros, que fez campanha em uma plataforma antiausteridade.

“Quando enfrentamos grandes desafios, nós queremos a Europa ao nosso lado. De nossa parte, pretendemos ser absolutamente consistentes e honrar todas as nossas obrigações”, disse o presidente eleito em um comunicado.

“É um triunfo”, disse Stefanos Stefanou, um aposentado de 62 anos, do lado de fora de um escritório de campanha de Anastasiades. “Eu não tenho medo de perder minha pensão e os benefícios agora, considerando o que ganhei depois de trabalhar por 40 anos.”

Os mercados financeiros esperavam por uma vitória Anastasiades para acelerar um resgate conjunto da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) antes que a ilha fique sem dinheiro e ameace a frágil confiança na zona euro.

“Precisamos de um governo com peso que pode falar com os parceiros (da União Europeia), que pode ser ouvido e faça o que se compromete a fazer”, disse o cipriota Christopher Pissarides, que ganhou o prêmio Nobel de Economia em 2010, à Reuters.

“Nós não tínhamos feito isso até agora. A coisa mais importante é sinalizar a nossa vontade de cooperar (com a UE).”

BEM VERSADO EM REGRAS

Anastasiades vai tomar as rédeas de uma nação mediterrânea devastada por sua pior crise econômica em quatro décadas, com o desemprego em um recorde de 15 por cento. Cortes salariais e aumentos de impostos antes de um resgate azedaram ainda mais o humor nacional.

“Eu espero que os mercados e os empresários acolham a vitória de Anastasiades, porque ele sabe as regras do jogo muito bem”, disse o economista e consultor independente Stelios Platis. “Garantir o financiamento para o Estado é a prioridade imediata, juntamente com a assinatura do acordo de resgate.”

O comparecimento às urnas foi menor do que o esperado entre o meio milhão de cipriotas com direito a voto, com uma alta taxa de abstenção de 19 por cento atribuída ao desânimo diante de perspectivas sombrias para o país.

As negociações para resgatar Nicósia se arrastam há oito meses desde que o país procurou ajuda, após uma reestruturação da dívida soberana grega implicar em perdas para seus bancos. Estima-se que o Chipre necessite de até 17 bilhões de euros em ajuda --quase o tamanho de sua economia inteira.

Anastasiades sugeriu que a ilha pode até precisar de um empréstimo-ponte até que um resgate seja acertado.

Dúvidas da Alemanha sobre o compromisso da nação para combater a lavagem de dinheiro e os fortes laços financeiros com a Rússia complicaram ainda mais as negociações para um resgate.

Autoridades europeias querem um resgate selado até o fim de março. O novo presidente tomará posse em 28 de fevereiro e assumirá o poder em 1o de março.

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