24 de Fevereiro de 2013 / às 20:38 / 5 anos atrás

Novo presidente do Chipre passa de "detestável" a "legal"

Por Michele Kambas

NICÓSIA, 24 Fev (Reuters) - A vitória do conservador Nicos Anastasiades nas eleições presidenciais do Chipre neste domingo marca a volta impressionante de um político cuja carreira foi quase destruída por uma aposta política em 2004.

Um orador afiado e ativo que não faz rodeios, Anastasiades, de 66 anos, venceu confortavelmente seu rival de esquerda, Stravros Malas, obtendo 57,5 por cento dos votos.

A vitória veio depois que ele abriu seu caminho de volta na aceitação popular após uma derrota debilitante nove anos atrás, quando apoiou um plano impopular das Nações Unidas para reunificar etnicamente a ilha dividida.

Um de seus apelidos na época era “Nick Detestável”, criado por um colunista de jornal popular. Uma década depois, o mesmo colunista agora o chama de “Nick Legal”, refletindo sua popularidade crescente apesar de sua reputação de um advogado cabeça quente com uma suposta inclinação para atirar cinzeiros.

Hoje, ele fica abertamente emocionado ao falar sobre a queda do Chipre em direção a um Estado quase falido que precisa de resgate.

“Essa é uma questão dolorosa”, disse ele ao ser questionado sobre a queda de Chipre em uma entrevista dias antes da eleição.

“É um Chipre de miséria e sopas para os pobres e um Estado que não pode cumprir suas obrigações básicas. Só consegue me provocar dor.”

Ao longo do caminho, Anastasiades cultivou um acesso impressionante a grandes autoridades como a chanceler alemã, Angela Merkel, cujo apoio será vital quando ele tentar costurar um resgate financeiro para a ilha em dificuldades.

Ele se encontrou do lado errado da opinião pública durante um dos períodos mais divididos da política cipriota, quando cipriotas turcos e gregos foram chamados para votar em um plano da ONU para reunir Chipre como uma federação flexível.

Anastasiades e seu partido Comício Democrático disseram “sim” para o plano, só para então descobrir que 76 por cento dos gregos cipriotas disseram “não”.

“Não é uma questão de arrependimento”, disse Anastasiades à Reuters quando questionado sobre sua decisão de apoiar o plano. “É uma questão de aceitar e respeitar a vontade popular.”

Muito pode acontecer em uma década. Sua candidatura à Presidência foi apoiada pelo Partido Democrático, que há nove anos fez forte campanha contra o mesmo plano, só faltando chamar seus defensores de traidores.

Poucos dias depois do referendo, agressores desconhecidos atiraram uma granada em sua casa.

Quatro anos depois, em 2008, Anastasiades optou por não sair candidato à Presidência. Outro membro do partido disputou em seu lugar, perdendo para o atual presidente Demetrix Christofias, o homem que Anastasiades agora acusa de acabar com a economia.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below