Voto de protesto amplia incerteza na eleição italiana

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013 11:06 BRT
 

Por James Mackenzie e Gavin Jones

ROMA, 25 Fev (Reuters) - Os italianos votam na segunda-feira pelo segundo e último dia em uma eleição geral na qual o voto de protesto amplia o risco de formação de um governo instável no país, que há três anos luta contra uma crise da dívida.

As pesquisas davam uma vantagem apertada à coalizão centro-esquerdista liderada por Pier Luigi Bersani, mas a disputa se tornou imprevisível por causa do grande número de votos de protesto contra as medidas de austeridade e os escândalos políticos e empresariais.

"Estou farto dos escândalos e da roubalheira", disse o advogado romano Paolo Gentile, de 49 anos, que votou no partido alternativo Movimento 5 Estrelas, que disputa sua primeira eleição geral. "Precisamos de gente jovem no Parlamento, não dos velhos partidos totalmente desacreditados."

A maioria dos eleitores ouvidos durante dois dias pela Reuters em frente às seções eleitorais previu que o novo governo vai cair rapidamente, prejudicando seus esforços contra a crise econômica.

"Estou muito pessimista, não acho que o vencedor, seja quem for, irá durar muito ou será capaz de resolver os problemas do país", disse Cristiano Reale, de 43 anos, vendedor em Palermo (sul). Ele disse que votaria no grupo Revolução Cívica, de extrema esquerda.

A campanha eleitoral foi travada em torno de temas econômicos, e acompanhada de perto pelos mercados financeiros, nervosos com um reinício da crise da dívida que levou a zona do euro para a beira de um desastre, e que resultou, em 2011, na substituição do premiê Silvio Berlusconi pelo tecnocrata Mario Monti.

A Itália é a terceira maior economia entre os 17 países que compõem a zona do euro, e a perspectiva de um impasse político pode gerar uma perigosa instabilidade nos mercados.

"Há uma semelhança entre as eleições italianas e as do ano passado na Grécia, em que partidos pró-euro estão perdendo terreno em favor de forças populistas", disse Ricardo Barbieri, economista-chefe da Mizuho.   Continuação...

 
Líder do Partido Democrata Pierluigi Bersani vota em seção eleitoral em Piacenza, na Itália. Os italianos votam na segunda-feira pelo segundo e último dia em uma eleição geral na qual o voto de protesto amplia o risco de formação de um governo instável no país. 24/02/2013 REUTERS/Paolo Bona