Negociador-chefe das Farc diz querer fazer política legalmente

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013 16:35 BRT
 

BOGOTÁ, 25 Fev (Reuters) - O negociador-chefe das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) no diálogo de paz com o governo da Colômbia, Iván Márquez, disse que quer fazer política aberta e legalmente, uma questão ainda pendente na mesa de negociação que está presa na discussão do tema agrário, no qual o líder guerrilheiro assegurou que há avanços.

As declarações de Márquez, numa entrevista à revista Semana, acontecem em meio a tensões entre as partes, que levaram as Farc a acusar o governo de arruinar o processo de paz e o presidente Juan Manuel Santos a advertir que não haverá trégua e que se não tiver avanço, ele deixa as negociações.

A participação na política é o segundo ponto --num total de 5-- na agenda que foi acertada entre as partes na negociação que busca encerrar um violento conflito interno de mais de cinco décadas. Governo e Farc começaram a discutir há três meses e meio e só abordaram o tema agrário.

"Desejo fazer política de maneira aberta e legal", disse Márquez na entrevista que começou a circular na segunda-feira.

"Esse é meu propósito. Eu fui representante (parlamentar) por Caquetá e voltei à montanha porque iam me matar", completou.

As Farc terão que assinar a paz, entregar as armas e enfrentar as causas pendentes com a Justiça, incluindo assassinatos, massacres, sequestros e narcotráfico, antes de poder participar como uma força política, de acordo com o governo.

Márquez assegurou que na atual negociação há avanços, em comparação com processos anteriores que se caracterizaram pela interrupção nas discussões.

"Construímos ao menos duas ou mais folhas de contrato e isso é um passo que não tinha sido alcançado por operações anteriores", disse Márquez na entrevista.

(Reportagem de Luis Jaime Acosta)