Kerry defende liberdades, diz que americanos têm "direito de ser estúpidos"

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013 13:11 BRT
 

BERLIM, 26 Fev (Reuters) - O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, fez uma defesa na terça-feira à liberdade de religião, de expressão e pensamento nos Estados Unidos diante de uma plateia de estudantes alemães e disse que nos EUA "você tem o direito de ser estúpido, se você quiser ser".

"Como um país, como sociedade, vivemos e respiramos a ideia de liberdade religiosa e tolerância religiosa, qualquer que seja a religião, e liberdade política e tolerância política, qualquer que seja o ponto de vista", disse Kerry aos estudantes, em Berlim, a segunda parada de sua viagem inaugural como secretário de Estado.

"As pessoas às vezes se perguntavam por que a nossa Suprema Corte permite que um ou outro grupo participe de manifestação mesmo que seja a coisa mais provocante no mundo...", acrescentou.

"A razão é que isso é a liberdade, a liberdade de expressão. Nos Estados Unidos você tem o direito de ser estúpido, se você quiser ser", disse Kerry, provocando risos.

"E nós toleramos isso", disse. "Agora, eu acho que isso é uma virtude. Acho que isso é algo que vale a pena lutar", acrescentou. "O importante é ter a tolerância para dizer, você sabe, você pode ter um ponto de vista diferente."

Kerry fez os comentários em sua primeira viagem ao exterior desde que assimiu o cargo de secretário de Estado em 1o de fevereiro. Depois de passar por Londres e Berlim, ele visita Paris, Roma, Ancara, Cairo, Riad, Abu Dabi e Doha antes de retornar a Washington em 6 de março.

Ao falar aos alunos e mais cedo com diplomatas dos EUA, Kerry relembrou o tempo que passou em Berlim na década de 1950 como o filho intrépido de um diplomata norte-americano e recontou as aventuras com sua bicicleta por Berlim Oriental.

"Eu costumava ter grandes aventuras. Minha bicicleta e eu éramos melhores amigos. E eu pedalava todo esta cidade. Isso foi em 1954 ... a guerra ainda estava presente na mente das pessoas", disse aos diplomatas.

"Como 12 anos de idade, vi a diferença entre o Oriente e o Ocidente", disse mais tarde aos alunos. "Eu nunca fiz outra viagem como essa. Mas eu nunca esqueci."

(Reportagem de Arshad Mohammed)