13 de Maio de 2014 / às 16:43 / em 4 anos

Volume do mercado de DIs cai ao menor nível em 4 anos

SÃO PAULO (Reuters) - A convicção de que a Selic vai parar de subir muito em breve e as incertezas eleitorais que devem marcar o segundo semestre esvaziaram o volume no mercado de DIs aos menores níveis em quase quatro anos, deixando investidores receosos diante da possibilidade de movimentos exagerados e imprevisíveis.

Segundo analistas, esse cenário deve durar ainda mais alguns meses, com o mercado voltando a crescer à medida que as eleições agendadas para outubro se aproximam e atraem de volta os investidores.

“Um mercado sem liquidez abre espaço para manipulação e todo mundo fica com medo de entrar”, afirmou o tesoureiro-chefe do banco Daycoval, Gustavo Godoy. “Você consegue puxar a curva negociando volumes muito pequenos, o mercado fica perigoso”, acrescentou.

De acordo com dados da Reuters, a média móvel de 30 dias do volume do mercado de juros futuros ficou em cerca de 813 mil contratos no fechamento de segunda-feira, perto das mínimas desde meados de outubro de 2010, quando chegou a 750 mil, justamente no pleito que elegeu a presidente Dilma Rousseff.

A queda expressiva na liquidez também é perceptível nos contratos futuros de juros em aberto na BM&F. Com base no fechamento de cada mês, a cifra tem oscilado na casa de 12 milhões durante todo este ano.

Em 2013, em média e no fechamento de cada mês, o número de contratos em aberto oscilou em torno de 15 milhões no ano passado.

Parte desse marasmo é atribuída por analistas ao fato de que a eleição presidencial no Brasil ainda está longe e com a disputa mostrando-se cada vez mais acirrada, deixando os investidores inseguros em fazer grandes apostas.

“Por enquanto, isso faz com que todo mundo tenha cautela, mas a expectativa é que, à medida que a eleição se aproxime, o mercado comece a brigar entre si”, afirmou o economista da área de análises da XP Investimentos, Daniel Cunha.

As pesquisas mais recentes têm mostrado queda na intenção de voto da presidente Dilma, que tentará a reeleição neste ano, mas ainda indicando sua vitória num momento em que há fortes críticas sobre a atual política econômica.

Outra parte importante do mercado esvaziado neste momento é explicada pela acomodação das expectativas sobre a política monetária do Banco Central.

Atualmente, a curva de DIs embute maiores chances de que a Selic seja mantida em 11 por cento na reunião de maio do Comitê de Política Monetária (Copom), segundo dados da Reuters, mas mesmo aqueles que apostam em mais um aumento reconhecem que o aperto pararia por aí.

Por outro lado, o baixo volume de negociações tem acentuado a volatilidade dos DIs mais longos, principalmente em meio a expectativas de que o BC pode voltar a elevar a Selic no fim do ano, logo após as eleições.

“Os (DIs) mais curtos não têm muito para onde ir porque a política monetária agora está dada. Os longos, a inclinação da curva, essa sim tende a variar, porque está entrando na conta que pode haver mais aperto lá para frente”, disse o sócio-gestor da Queluz Asset Management, Luiz Monteiro.

Com base nos fechamentos a partir de abril até a véspera, o DI para julho de 2014 oscilou dentro da banda de 0,10 ponto percentual, entre 10,78 e 10,88 por cento. Já o DI para janeiro de 2017 variou entre 12,11 e 12,53 por cento, ou 0,42 ponto.

Desde abril do ano passado, o BC tirou a Selic da mínima histórica de 7,25 por cento para combater a inflação e vem indicando que não deve mexer no atual patamar da taxa básica de juros agora, mesmo com a inflação elevada.

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