23 de Maio de 2014 / às 20:14 / 3 anos atrás

Putin indica que irá trabalhar com novo líder da Ucrânia, mas critica EUA

SÃO PETERSBURGO Rússia (Reuters) - O presidente russo, Vladimir Putin, pareceu hastear uma bandeira branca nesta sexta-feira ao indicar que irá trabalhar com quem quer que seja eleito como novo presidente da Ucrânia e pedir melhores relações com o Ocidente.

Ao mesmo tempo, criticou ferozmente a política externa e econômica dos Estados Unidos.

Em um discurso a empresários russos e estrangeiros num evento em resposta ao Fórum Mundial Econômico de Davos, realizado na elegante ex-capital imperial russa São Petersburgo, Putin reconheceu que as sanções dos EUA e da União Europeia estão prejudicando a economia de seu país.

“Não estamos planejando nenhum autoisolamento”, disse Putin, propondo diálogo e cooperação para mostrar que a Rússia está aberta a negócios e, talvez, evitar novas sanções.

“Esperamos que o bom senso... induza nossos parceiros europeus e norte-americanos a trabalhar com a Rússia”.

Indagado se a Rússia irá reconhecer a legitimidade da eleição presidencial ucraniana de domingo, ele também soou conciliador, dizendo: “Trataremos a escolha do povo ucraniano com respeito”.

Foi um sinal de boa vontade depois de semanas criticando a votação, o que levou ao temor de que a Rússia não reconhecesse o novo líder. Putin acrescentou que “depois da eleição iremos trabalhar com a estrutura recém-eleita”.

Mas, descrevendo a situação na Ucrânia como uma guerra civil, ele apimentou sua fala com críticas aos Estados Unidos, acusando o país de instigar um golpe de Estado na ex-república soviética, agravar os problemas econômicas globais e insinuando que os EUA querem atrair Kiev para o âmbito da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), ex-inimigo russo na Guerra Fria.

“O mundo mudou”, afirmou Putin. “A visão unipolar do mundo... fracassou”.

Retomando repetidas vezes a retórica anti-EUA que se tornou marca registrada de seu terceiro mandato presidencial desde maio de 2012, o líder pareceu tentar criar uma divergência entre os EUA e a Europa elogiando as empresas europeias por serem mais pragmáticas em sua reação mais branda à anexação russa da Crimeia.

À medida que os laços com o Ocidente azedam, a Rússia vem nutrindo relações com a Ásia, e assinou um acordo de fornecimento de gás de 30 anos e 400 bilhões de dólares com a China nesta semana, quando Putin visitou Xangai e se encontrou com o presidente chinês, Xi Jinping.

A Rússia está entrando em recessão, e a fuga de capitais acelerou neste ano. Washington e Bruxelas, que já impuseram congelamento de bens e proibições de viagens a indivíduos russos, ameaçam sanções mais severas se Moscou interferir com a votação na Ucrânia.

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