6 de Junho de 2014 / às 18:05 / em 4 anos

BC do México surpreende e reduz taxa de juros para mínima histórica de 3%

CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - O banco central do México surpreendeu nesta sexta-feira ao reduzir as taxas de juros para a mínima histórica, argumentando que a frágil economia deu espaço para um corte com o objetivo de estimular o crescimento sem pressões inflacionárias.

O Banco do México reduziu a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual, para 3 por cento, apesar de previsões em pesquisa da Reuters indicarem, por unanimidade, manutenção da taxa.

As autoridades disseram que não esperam mais cortes nas taxas, sugerindo que custos mais baixos não seriam prudentes diante das expectativas de que os Estados Unidos iniciem um ciclo de aperto e de que o crescimento se acelere no México.

“Dada a maior margem de folga na economia, a convergência eficiente da inflação para 3 por cento é viável com uma taxa de juro de referência mais baixa”, informou o BC.

A autoridade monetária disse que os riscos à inflação melhoraram. A inflação anual tem desacelerado desde que ultrapassou o limite de 4 por cento do BC em janeiro, devido principalmente a novos impostos sobre refrigerantes e “fast food”.

Mas autoridades afirmaram que ainda existem riscos de que o crescimento econômico possa piorar.

A segunda maior economia da América Latina cresceu apenas 0,3 por cento no primeiro trimestre na comparação com os três últimos meses de 2013, levando o governo no mês passado a reduzir suas expectativas para o crescimento anual em 2014 para 2,7 por cento, ante 3,9 por cento.

O banco central disse que, apesar de exportações mais fortes, ainda está preocupado com uma fraqueza nos gastos domésticos e uma queda no crescimento econômico em março.

No mês passado, autoridades disseram que agora esperam que haja capacidade ociosa na economia até o próximo ano, o que evitaria que o crescimento alimentasse pressões inflacionárias.

A expectativa não era de que o BC do país reduzisse sua taxa referencial abaixo da inflação, que ficou em 3,44 por cento nos 12 meses até meados de maio.

No mês passado, o BC projetou que a inflação subirá acima do limite de 4 por cento nos próximos meses, enfraquecendo depois até o fim do ano. Se o crescimento enfraquecer mais, o banco central terá mais dificuldades para justificar um corte se a inflação superar a meta.

Em anos anteriores, fortes quedas no peso tornaram arriscados cortes na taxa de juros mexicana uma vez que juros mais baixos podem levar investidores famintos por rendimentos a descartar ativos de renda fixa mexicanos e afetar ainda mais a moeda.

Uma moeda fraca pode alimentar a inflação através de preços mais altos de importados. Analistas dizem que o banco central está tirando vantagem de uma calma renovada nos mercados financeiros e da recente queda na inflação para tentar sustentar o crescimento econômico.

“Eles aproveitaram o momento”, afirmou a economista do banco Banorte Delia Paredes. “Foi uma surpresa.”

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