11 de Julho de 2014 / às 15:38 / 3 anos atrás

Indústria de açúcar do Brasil limita embarque à espera de preço melhor, diz Job

SÃO PAULO (Reuters) - A expectativa de preços mais elevados do açúcar a partir de meados do segundo semestre faz a indústria e tradings no Brasil limitarem vendas no curto prazo, afetando já os embarques do maior exportador global da commodity, disse o sócio-diretor da Job Economia, Julio Maria Borges.

Segundo o consultor, boa parte do açúcar produzido na atual temporada continua estocado nas usinas, enquanto as tradings não retiram o produto à espera de condições melhores para negociação.

“No médio prazo, vemos bons fundamentos para os preços do açúcar... Uma recuperação que pode ser até mais acentuada do que se imagina, dependendo da intensidade do El Niño”, disse Borges.

A confirmação do fenômeno climático El Niño pode trazer mais chuvas para o centro-sul do Brasil, afetando a qualidade da cana e reduzindo a oferta de açúcar.

Os preços do açúcar bruto em Nova York, que estão em torno de 17 centavos de dólar por libra-peso, têm oscilado pouco ao longo do ano, após uma mínima de quase 15 centavos em janeiro, e estão abaixo dos custos totais das usinas, segundo o consultor.

Segundo ele, se considerar um câmbio de 2,25 reais, o preço deveria ser 19,50 centavos de dólar por libra-peso para remunerar adequadamente a indústria, de forma a cobrir custos totais.

“Espero que o preço alcance ainda no segundo semestre cerca de 20 centavos/lb, desta forma haverá exportação. Caso contrário, elas serão muito inibidas nesta safra. Em outras palavras, o Brasil vai reduzir muito sua participação nas exportações mundiais”, disse.

A retração nas vendas tem se refletido nas exportações brasileiras, com os embarques no acumulado da safra (abril a junho) recuando cerca de 20 por cento na comparação anual, para 4,614 milhões de toneladas (açúcar bruto e refinado).

FATOR ÍNDIA

Além disso, existe a perspectiva de uma produção menor de açúcar no mundo, com possível recuo da safra da Índia (segundo produtor e maior consumidor global) também por efeito da ocorrência do fenômeno El Niño.

“Se o El Niño acontecer com intensidade razoável na Índia, por exemplo, já reduzirá a pressão de exportação (da Índia)”, disse Borges.

Centros de previsão climática têm apontado chances para a ocorrência de um El Niño entre fraco e moderado este ano, que poderia ter impactos na safra da cana.

Com perspectivas de safras menores no Brasil e na Índia, pelos riscos climáticos --as lavouras brasileiras já foram afetadas por uma severa seca no início do ano--, as consultorias já consideram que a safra global --que vai de outubro a setembro-- deve passar de um excedente para um déficit em 2014/15.

Na quinta-feira, a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) afirmou que a moagem de cana do Brasil deve refletir os efeitos da seca prolongada, prevendo níveis de produtividades menores que o inicialmente estimado.

A Unica estimou, antes mesmo da seca recente, uma queda de 1 milhão de toneladas nas exportações de açúcar do centro-sul do Brasil em 2014/15, com base nos dados das previsões da severa estiagem do início do ano.

O Brasil exportou 27 milhões de toneladas no ano calendário 2013, segundo dados do Ministério da Agricultura.

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