22 de Julho de 2014 / às 10:44 / 3 anos atrás

CORREÇÃO-Eleição em outubro é agora incerta para Dilma

BRASÍLIA (Reuters) - (Corrige 6º parágrafo para esclarecer que empate técnico ocorre num provável 2º turno)

A presidente Dilma Rousseff parecia até recentemente rumar para uma reeleição em outubro, mas agora ela se depara com uma corrida apertada, enquanto uma economia já lenta dá uma guinada para uma situação pior.

O crescimento econômico, fraco durante boa parte do mandato de Dilma, parece ainda menos promissor neste ano com a expectativa de economistas de uma contração no segundo trimestre.

A inflação paira um pouco acima dos 6,5 por cento, e o emprego, que por muito tempo foi o ponto forte da economia, recentemente começou a apresentar problemas. A produção industrial despencou nos últimos três meses e está a caminho de encolher mais de 1 por cento neste ano, levando algumas fábricas a iniciar cortes de vagas.

A frustração nas grandes cidades brasileiras também tem aumentado. Serviços públicos deficientes e engarrafamentos, ambos fatores que contribuíram para a insatisfação que levou às manifestações em todo o país no ano passado, tornam a vida diária, para muitos, cada vez mais insuportável.

Enquanto muitos brasileiros ainda são gratos ao PT pelos dois mandatos anteriores de crescimento econômico sustentado, o que era um apoio firme ao governo de Dilma recentemente passou a perder força.

Dilma já não tem votos suficientes para ganhar no primeiro turno das eleições de 5 de outubro, segundo dados da pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira. E seu principal adversário, o senador Aécio Neves (PSDB), tem diminuído a liderança da presidente em um provável segundo turno, de 27 pontos percentuais em fevereiro para 4 pontos, um empate técnico.

Outra pesquisa, do Instituto Sensus, também mostrou no sábado que a eleição ruma para o segundo turno, com Dilma e Aécio empatados tecnicamente na segunda etapa de votação.

Os números têm dado energia à campanha de Aécio, fornecendo uma série de questões a serem exploradas na corrida presidencial.

“As condições estão dadas muito para uma vitória daoposição -- a rejeição de Dilma, o cansaço com o PT, asituação econômica e o esgotamento das propostas do governo”, disse o senador Aloysio Nunes (SP), vice na chapa de Aécio, à Reuters.

Se Aécio conseguir uma virada, os investidores têm a expectativa de um retorno às políticas favoráveis ao setor empresarial, que pavimentaram o caminho para o crescimento econômico do país na última década.

O tucano tem prometido restaurar a credibilidade fiscal do país, freando os gastos públicos sem sacrificar os programas sociais, altamente populares na base eleitoral de Dilma.

Durante os próximos dois meses de campanha, tanto Aécio quanto o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, que ocupa um distante terceiro lugar, devem se concentrar nas críticas aos aspectos negativos que começaram a sacudir as bases do apoio a Dilma.

“O pior inimigo da Dilma não é o Aécio Neves. São seus próprios números de rejeição”, disse Thiago de Aragão, sócio da consultoria Arko Advice, em Brasília. Esses números, segundo analistas, significa que muitos dos eleitores de Campos, se for eliminado no primeiro turno, estão mais propensos a migrar para Aécio no segundo turno.

A pesquisa Datafolha mostrou que até 35 por cento dos entrevistados disseram que nunca votarão em Dilma, o dobro da rejeição registrada no caso de Aécio, enquanto 29 por cento avaliam seu governo como ruim ou péssimo, patamar pior do que o verificado no auge das manifestações populares de 2013.

REVOLTA URBANA

A insatisfação demonstrada nos protestos não contaminou a Copa do Mundo realizada recentemente no país, um evento muito elogiado em termos desportivos e que pouco prejudicou Dilma, porque ocorreu com poucos dos pesadelos logísticos que muitos esperavam.

Ainda assim, a percepção positiva do Mundial ocorreu, em grande parte, porque o país declarou feriados nas cidades-sede na maioria dos jogos, evitando o caos que assola regularmente as ruas, trens e aeroportos.

Mas, com os eleitores se debruçando novamente sobre as questões do dia a dia depois do fim da Copa, a angústia urbana pode se manifestar nas urnas.

“A vida nas cidades brasileiras está se deteriorando rapidamente e há um forte sentimento público de que o governo não está fazendo o que deve fazer para melhorar os serviços de eletricidade, água, esgoto e transporte”, disse o cientista político da Universidade de São Paulo José Augusto Guilhon Albuquerque.

Para piorar as coisas para Dilma, a base aliada que sustenta seu governo no Congresso é tênue. Alguns partidos menores estão irritados com o PT, que rotineiramente recusa pedidos de aliados para postos-chave da administração.

Mesmo que estejam oficialmente a bordo de sua coligação em nível nacional, muitos devem apoiar outros partidos nas corridas estaduais, alimentando as tensões que podem minar ainda mais o seu apoio total.

Com certeza, Dilma tem alguma artilharia pesada para lançar nos próximos meses. Além dos cofres recheados da campanha e do musculoso marketing do PT, ela deve desfrutar de um amplo tempo de TV para expor seu programa de governo.

Dilma também conta com o apoio do seu mentor e predecessor como presidente, Luiz Inácio Lula da Silva. Preocupado com a situação dela nas pesquisas, Lula tem insistido que sua campanha explore mais agressivamente a redução da pobreza e outros ganhos sociais nas gestões do PT.

Durante os dois mandatos de Lula, o PT recebeu doações de campanha consideráveis ​​de algumas das maiores empresas do Brasil, felizes com uma economia em expansão e um mercado consumidor em expansão.

A classe empresarial brasileira, no entanto, não gosta de Dilma devido ao que considera ser uma intervenção pesada na economia. Suas políticas, argumenta o setor, reduziram as margens de lucro, desanimaram investimentos e tornaram o Brasil menos competitivo.

Embora a maioria das empresas vá cobrir as suas apostas e fazer doações às campanhas de todos os candidatos, os mercados têm cada vez mais mostrado o quanto esperam por uma derrota de Dilma. O Ibovespa .BVSP subiu mais de 25 por cento desde meados de março, quando a popularidade de Dilma começou a perder força.

Já Aécio tem se comprometido a se abster de se intrometer nos assuntos de empresas controladas pelo Estado, como a gigante do petróleo Petrobras (PETR4.SA), cujas finanças foram severamente enfraquecidas sob a política de administração de Dilma, que obriga a companhia a vender combustível abaixo dos preços de mercado.

A eleição agora parece tão perto que os especialistas em política não arriscam uma previsão do resultado.

“Eu não sei quem vai ganhar”, disse Vera Chaia, professora de Ciência Política da Universidade Católica de São Paulo. “Até um mês atrás, antes da Copa do Mundo, eu pensei que ela poderia ganhar. Mas agora é difícil dizer.”

Tradução Redação São Paulo; +5511 5644-7731 REUTERS MCM BM

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