24 de Julho de 2014 / às 12:37 / 3 anos atrás

BC vê inflação maior e explicita que não cortará os juros

Fachada da sede do Banco Central, em Brasília. 15/01/2014. REUTERS/Ueslei Marcelino

SÃO PAULO (Reuters) - Ao mesmo tempo em que piorou suas projeções de inflação para este e o próximo ano, o Banco Central disse nesta quinta-feira que a inflação tende a entrar em convergência para a meta num cenário de política monetária que não inclui redução da taxa básica de juros.

Com isso, na avaliação de especialistas, o BC colocou uma pá de cal nas expectativas de que a taxa Selic poderia ser reduzida em breve. Ao contrário, reforçou que o viés é de alta.

O BC avaliou que a inflação continuará resistente nos próximos trimestres mas que, mantidas as condições monetárias, “isto é, levando em conta estratégia que não contempla redução do instrumento de política monetária”, ela tende a ir para a trajetória de convergência à meta “nos trimestres finais do horizonte de projeção”, mostrou a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta quinta-feira.

Esta foi a primeira vez que o BC citou explicitamente que o cenário não contempla queda dos juros.

“Enquanto não houver clareza na convergência da inflação para a meta, não tem espaço para essa discussão (de corte de Selic)... O BC foi bastante claro”, afirmou a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif. “Nem num cenário eleitoral reduzir agora a Selic seria uma estratégia. A inflação é o problema para o eleitor”, acrescentou ela.

Na semana passada, o BC manteve a Selic em 11 por cento ao ano pela segunda vez seguida, mas surpreendeu uma parte dos agentes econômicos ao não retirar a expressão “neste momento” para explicar sua decisão. Com isso, avaliaram os especialistas naquele momento, teria deixado a porta aberta para qualquer movimento futuro da política monetária, inclusive para voltar a reduzir a taxa básica mesmo com sério risco de a inflação estourar o teto da meta do governo --de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos. Isso porque a atividade econômica tem dado sucessivos sinais de perda de fôlego e juros elevados têm potencial para piorar ainda mais esse cenário, encarecendo os empréstimos e, consequentemente, o consumo.

A perspectiva de que a Selic poderia ser cortada já havia perdido força nos últimos dias, com as avaliações de que o BC estaria mais preocupado com a pressão sobre os preços. Pesquisa Focus do BC com economistas mostra que, na mediana das projeções, a perspectiva é de a Selic irá encerrar este ano a 11 por cento e 2015, a 12 por cento.

Os juros futuros subiam nesta sessão, corrigindo parte das perdas dos últimos dias e com as apostas crescendo de que a Selic subirá mais em 2015. Em seu Relatório Trimestral de Inflação divulgado há cerca de um mês, o BC passou a ver chances praticamente iguais de a inflação estourar a meta em 2014 e calculou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 6,4 por cento neste ano, em 5,7 por cento em 2015 e em 5,1 por cento nos 12 meses até junho de 2016.

INFLAÇÃO MAIS ALTA Inflação alta e baixo crescimento econômico têm abalado a confiança na economia e contribuído para a queda na popularidade da presidente Dilma Rousseff, que busca a reeleição em outubro. Nos 12 meses até junho, o IPCA acumula alta de 6,52 por cento, já acima do teto da meta.

“Que o BC não corte os juros não é surpresa. É uma surpresa que ele diga isso tão claramente”, afirmou o economista do BBVA, Enestor dos Santos, para quem a Selic fechará o ano estável a 11 por cento, e subirá a 12,25 por cento em 2015.

Na ata, o BC também piorou seu cenário sobre o comportamento da inflação, sem abrir os números. Pelo cenário de referência (Selic a 11 por cento e dólar 2,20 reais), a projeção para a inflação de 2014 e de 2015 foi elevada sobre o valor do documento anterior e permanece acima do centro da meta.

O BC também passou a ver alta maior nos preços das tarifas de energia elétrica neste ano, de 14 por cento, frente aos 11,5 por cento até então. Ao mesmo tempo, passou a ver menor redução nos preços de telefonia fixa, de 3,8 por cento, ante 4,2 por cento anteriormente. Mas no geral, manteve em 5 por cento suas contas para a alta nos preços administrados.

Reportagem adicional de Silvio Cascione, em Brasília

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