24 de Julho de 2014 / às 14:28 / em 3 anos

Vendas da Natura desapontam no Brasil e ações despencam mais de 5%

SÃO PAULO (Reuters) - A ação da Natura liderava as perdas do Ibovespa nesta quinta-feira, após a empresa de cosméticos ter visto o lucro do segundo trimestre recuar mais de um quarto, impactado por um fraco desempenho de vendas no Brasil.

Às 11h25, a ação recuava 5,5 por cento, a 36,76 reais, enquanto o principal índice da bolsa tinha variação positiva de 0,13 por cento.

Na noite da véspera, a companhia divulgou avanço de apenas 1,8 por cento nas vendas líquidas trimestrais no país, seu principal mercado. A performance acabou impactando a diluição dos custos de produção e afetando sua rentabilidade.

Entre abril e junho, o lucro líquido da Natura somou 175,8 milhões de reais, queda de 26,8 por cento na comparação anual, também afetado pelo aumento da inadimplência e por uma menor quantidade de dias úteis no período, apontou a administração.

Em comentário a clientes, a analista Andrea Teixera, do JP Morgan, previu pressão sobre os papéis. "Os resultados do segundo trimestre desapontaram até mesmo as nossas estimativas conservadoras".

Na visão da equipe do Citi, os resultados operacionais "surpreendentemente mais fracos que o esperado" da Natura levantam dúvidas para o restante do ano e sugerem que a Copa do Mundo afetou a produtividade das consultoras da empresa em um trimestre sazonalmente mais forte em função do Dia das Mães e Dia dos Namorados.

Mais cedo nesta semana, por outro lado, a varejista de moda Lojas Renner divulgou forte avanço no lucro trimestral, minimizando o impacto da Copa do Mundo e da consequente interrupção de atividades em dias de jogos no período.

"O aumento de preços de 5 por cento em julho pode mitigar a pressão na margem bruta advinda do aumento da concorrência e dos investimentos em marketing", escreveram os analistas do Citi Alexander Robarts e Marcelo Inoue.

"Mas estamos preocupados com dados de mercado que mostram a Natura perdendo 90 pontos-base de participação no mercado brasileiro de CF&T (Cosméticos, Fragrâncias e Toalete) nos primeiros quatro meses de 2014", completaram.

Em conferência com jornalistas na véspera, o vice-presidente financeiro da Natura disse que a empresa enxerga um segundo semestre melhor para seus produtos no Brasil, depois do segundo trimestre "incomum".

Questionado sobre a expectativa divulgada anteriormente de manutenção da margem bruta em 2014 em nível semelhante ao observado em 2013, o executivo se limitou a dizer que a Natura prevê recuperação na segunda metade do ano para patamares parecidos com os de igual etapa do ano passado.

Analistas do Credit Suisse estimaram em relatório que substanciais rebaixamentos para os lucros da companhia devem ser vistos nas próximas semanas.

"Continuamos a acreditar nas diferentes iniciativas para evoluir o modelo (de negócios) e reacender o crescimento no longo prazo, mas o curto prazo permanece desafiador", escreveu a equipe do banco liderada por Tobias Stingelin.

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