31 de Julho de 2014 / às 15:28 / 3 anos atrás

Argentina entra em default mas investidores veem acordo possível

BUENOS AIRES (Reuters) - A Argentina entrou em default pela segunda vez em 12 anos depois que fracassaram as conversas de última hora com os credores chamados de “abutres” pelo país, e agora as atenções se voltam para se grandes bancos e fundos vão solicitar a declaração de “evento de crédito”.

Após uma longa batalha legal com hedge funds que rejeitaram a reestruturação da dívida argentina depois do default de 2002, a terceira maior economia da América Latina não conseguiu chegar a um acordo a tempo de atender ao prazo final para pagamento.

O chefe de Gabinete da Argentina, Jorge Capitanich, criticou o mediador Daniel Pollack, nomeado pelo tribunal dos Estados Unidos, chamando-o de “incompetente”. Capitanich incentivou detentores de títulos de dívida reestruturada a exigirem seu dinheiro do juiz norte-americano que bloqueou um pagamento em 30 de junho, levando ao default.

A Associação Internacional de Swaps e Derivativos (Isda, na sigla em inglês) informou nesta quinta-feira que recebeu o primeiro pedido para avaliar se um evento de crédito ocorreu, segundo a página da associação na internet.

O banco suíço UBS pediu ao comitê de determinações da Isda que avalie se um evento de crédito de “falha em pagar” ocorreu, citando um prazo não cumprido para entregar pagamentos de juros para credores.

Caso o pedido seja aceito, o comitê de 15 membros votará sobre se um pagamento dos contratos credit default swas (CDS) da Argentina pode ser disparado. O comitê pode se reunir e chegar a uma decisão já a partir de sexta-feira, dizem participantes do mercado, embora o processo possa demorar mais.

Qualquer decisão de que um evento de crédito aconteceu dispararia uma série de pagamentos de seguros e daria à maioria dos atuais credores da Argentina o direito de exigir seu dinheiro de volta imediatamente. O prazo é 4 de agosto, segundo analistas.

O Credit Suissie disse anteriormente que os CDS “provavelmente serão disparados”.

O analista de renda fixa do Julius Baer Emiliano Surballe disse: “Ainda não está claro se o credit default swap do país será disparado. A situação que gerou o default foi um processo jurídico, não a falha do país em transferir as quantias para pagar a dívida existente”.

A Argentina depositou junto a seus bancos o dinheiro para pagar seus atuais credores, mas uma determinação legal dos EUA a impediu de fazer isso a menos que pagasse primeiro os “holdout”.

“Provavelmente será um cenário de default mais leve em que os preços vão cair um pouco. Existe confiança no que o governo vai fazer”, disse o gerente sênior de portfólio do Jyske Invest, Rune Hejarskov, que tem dívida argentina.

Mesmo um curto default elevará os custos de financiamento das empresas, aumentará as pressões sobre o peso, drenará recursos das reservas internacionais e alimentará uma das taxas de inflação mais altas do mundo.

A Argentina buscou em vão uma suspensão de última hora da decisão do juiz norte-americano Thomas Griesa em Nova York para o pagamento de 1,33 bilhão de dólares mais juros aos “holdouts”. Griesa decidiu que a Argentina não podia pagar sua dívida reestruturada sem pagar os “holdouts” ao mesmo tempo.

O chefe de Gabinete Capitanich insistiu que a Argentina não entrou em default pois honrou o pagamento de cupom em 30 de junho. Estes recursos estão agora presos em um limbo no Bank of New York Mellon, que atua como agente custodiante.

“A Argentina pagou”, disse Capitanich. “Assim, os credores devem exigir seu dinheiro. (Dizer) que a Argentina está em default técnico é uma farsa absurda com a intenção de destruir todo o processo de reestruturação”.

Uma proposta para que bancos argentinos comprassem a dívida não reestruturada dos fundos de hedge também fracassou, disseram fontes à Reuters.

Mesmo grave, a situação está muito longe do caos que aconteceu após o colapso econômico do país em 2001-2002, quando a economia afundou com um governo em bancarrota, e milhões de argentinos perderam seus empregos.

Desta vez o governo é solvente. Quanto o país sofrerá com o default dependerá da rapidez com que a Casa Rosada conseguirá encontrar uma saída para o problema.

“Este é um default muito particular, não existe um problema de solvência, e tudo depende da rapidez com que isso será resolvido”, disse o analista Mauro Roca, do Goldman Sachs.

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