7 de Agosto de 2014 / às 12:32 / 3 anos atrás

BCE mantém juros baixos e diz que crise ucraniana ameaça recuperação

FRANKFURT (Reuters) - A crise na Ucrânia acentuou os riscos à recuperação econômica fraca e desigual da zona do euro, e uma guerra de sanções retaliatórias pode piorar o problema, disse o Banco Central Europeu (BCE) nesta quinta-feira após manter suas taxas de juros em mínimas históricas.

O presidente do BCE, Mario Draghi, citou a instabilidade no Oriente Médio e também as tensões entre a Rússia e países do Ocidente acerca do conflito na Ucrânia entre os fatores que pesam sobre o crescimento na zona de moeda única. Moscou retaliou as sanções da União Europeia suspendendo as importações de alimentos da Europa.

Em entrevista à imprensa após a reunião mensal de política do banco central, ele reiterou que o BCE está pronto para recorrer ao “quantitative easing” --programa de compra de títulos-- se a perspectiva para inflação se deteriorar mais. Mas ele minimizou a leitura de 0,4 por cento de julho, a mais baixa em mais de quatro anos, considerando-a uma anomalia devido a quedas temporárias nos preços de alimentos e energia.

“Os riscos geopolíticos estão elevados, maiores do que eram há alguns meses. E alguns deles, como a situação na Ucrânia e Rússia, terão um impacto maior na zona do euro...do que em outras partes do mundo”, disse Draghi.

Após cortar as taxas de juros para mínimas recordes em junho, o banco central da zona do euro decidiu não alterá-las, aguardando para ver se esquemas como os empréstimos ultrabaratos de quatro anos para bancos que vai lançar em setembro irão incentivá-los a emprestar mais.

O BCE manteve sua principal taxa de refinanciamento na mínima recorde de 0,15 por cento, como esperado. Também deixou inalterada a taxa de depósito de um dia para o outro em -0,10 por cento, o que significa que bancos pagam para manter recursos no banco central, e manteve sua taxa de empréstimo em 0,40 por cento.

Muitos agora estão mudando o foco de suas atenções para o ano que vem, quando esperam que o BCE seguirá os Estados Unidos e outros importantes bancos centrais no lançamento do programa de quantitative easing (QE).

Draghi mencionou explicitamente esta opção junto à possibilidade de comprar títulos lastreados em ativos (ABS, na sigla em inglês), apesar da expressa relutância do influente banco central alemão.

“Apenas posso reafirmar que o Conselho é unânime em seu compromisso de também usar medidas não convencionais como compras de ABS, como o QE, se nossa perspectiva de médio prazo para a inflação sofrer mudanças”, disse o presidente do BCE.

O BCE espera uma forte contratação para a torrente de dinheiro barato no mês que vem para que bancos emprestem a empresas, disse ele, acrescentando que as taxas de juros reais na zona do euro permanecerão negativas por muito mais tempo-- até 5 anos-- do que nos Estados Unidos.

EVENTOS

Embora a entrevista à imprensa desta quinta-feira não tenha sinalizado qualquer mudança na política monetária, alguns economistas disseram que acontecimentos podem fazer o BCE agir.

“A zona do euro está em uma encruzilhada e a economia pode ir para qualquer lado”, disse o economista do ING James Knightley.

“Estamos começando a ver alguns sinais de estagnação e a situação geopolítica está ampliando os riscos. Um euro mais fraco e melhores condições de crédito vão conseguir compensar isso? Se não conseguirem, isso irá forçar a mão do BCE”.

A Rússia baniu as importações de frutas e vegetais da União Europeia em retaliação pelas sanções contra Moscou, enquanto a Otan alertou nesta semana que Moscou pode usar o pretexto de uma missão humanitária para invadir o leste da Ucrânia.

Mesmo assim, muitos economistas não esperam uma reação de Frankfurt a menos que haja uma virada dramática para o pior.

“A situação geopolítica está elevando os riscos à economia, mas não esperamos que eles mudem o curso até o ano que vem”, disse o economista do Société Générale Anatoli Annenkov.

“Esperamos que o BCE lance um programa de compra de ativos no começo do ano que vem, com a compra (de títulos) do setor privado em vez de títulos do governo no início. Mas por enquanto, eles estão indo por um caminho diferente para encorajar os empréstimos”.

Além da Ucrânia, a zona do euro enfrenta outros obstáculos.

Dados divulgados nesta semana mostraram que a Itália, a terceira maior economia do bloco, voltou a cair em recessão, enquanto o BC alemão informou que até mesmo a potência Alemanha estagnou no segundo trimestre.

Na França, a segunda maior economia da região que também passa por dificuldades, o presidente François Hollande disse que o BCE e a Alemanha precisam fazer mais para impulsionar o crescimento e combater um “risco deflacionário real” na Europa.

(Reportagem adicional de Paul Carrel)

Tradução Redação São Paulo, 55 11 56447723 REUTERS RF CMO

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