10 de Setembro de 2014 / às 21:31 / 3 anos atrás

Bovespa acumula queda de 6% em seis pregões, na maior sequência de perdas em 19 meses

SÃO PAULO (Reuters) - A Bovespa fechou em queda pelo sexto pregão consecutivo nesta quarta-feira, no menor patamar desde 18 de agosto, em meio a movimento de realização de lucros diante de expectativas de que pesquisas eleitorais sigam mostrando a presidente Dilma Rousseff (PT) ganhando terreno em eventual disputa de segundo turno contra a ex-senadora Marina Silva (PSB).

O Ibovespa fechou em queda de 0,81 por cento, a 58.198 pontos, completando a sexta sessão seguida no vermelho e acumulando recuo de 6 por cento no período. É a maior sequência de perdas desde fevereiro de 2013. Na mínima da sessão, o índice chegou a cair mais de 2 por cento. O giro financeiro do pregão somou 7,9 bilhões de reais.

Levantamento Vox Populi divulgado mais cedo nesta quarta-feira mostrou Marina com 42 por cento das intenções de voto contra 41 por cento de Dilma na simulação de segundo turno, deixando investidores na expectativa da pesquisa Datafolha, prevista para ser divulgada nesta noite no Jornal Nacional da Rede Globo.

Quatro profissionais do mercado financeiro ouvidos pela Reuters citaram rumores de que o levantamento do Datafolha irá mostrar Dilma à frente de Marina na simulação de segundo turno.

“Esse equilíbrio nas intenções de votos no segundo turno causou certa decepção, porque se imaginava uma resiliência maior da margem da Marina frente a Dilma. Alguma acomodação era esperada, mas foi muito rápido”, disse o gestor na NP Investimentos Julio Erse.

A menor chance de reeleição de Dilma indicada em pesquisas a partir de meados de agosto vinha impulsionando a Bovespa, entre outros fatores, por expectativas de menor intervenção em empresas estatais e em alguns setores da economia sinalizada pelos candidatos de oposição.

Mas desde que levantamentos recentes passaram a mostrar um quadro mais disputado, parte dos investidores, particularmente locais, passou a embolsar lucros ou reduzir posições. Após subir quase 10 por cento em agosto, o Ibovespa acumula queda de 5,04 por cento em setembro até esta quarta-feira.

O movimento de realização em praças emergentes nesta sessão também esteve no radar e foi citado como mais um fator de cautela ao mercado acionário brasileiro, embora dados sobre o fluxo de estrangeiros na bolsa ainda mostrem forte presença desses participantes.

O saldo externo na Bovespa no mês até 8 de setembro estava positivo em pouco mais de 2 bilhões de reais, contabilizando no ano entrada líquida de quase 20 bilhões de reais, enquanto os estrangeiros estavam comprados em 90.912 contratos em aberto de Ibovespa futuro até 9 de setembro.

O chefe da mesa de renda variável de corretora de um banco em São Paulo, que pediu para não ser identificado, disse que ainda observa fluxo para Brasil, mas que a forte valorização recente das ações e as incertezas políticas fizeram com que o apetite diminuísse.

Além disso, na próxima segunda-feira acontece o vencimento de opções sobre ações na bolsa paulista, o que tende a adicionar volatilidade aos negócios.

PAPEL POR PAPEL

As ações da Petrobras, que vêm reagindo à pauta eleitoral, recuaram mais de 2 por cento neste sessão. Papéis do setor financeiro, que mostraram forte valorização em agosto, também responderam por pressão negativa relevante no índice, com destaque para Itaú Unibanco e Bradesco.

O segmento imobiliário figurou entre as maiores baixas do Ibovespa, em parte por conta das características dessas ações que apresentam movimentos mais acentuados do que o índice, mas também devido ao movimento de alta nos juros futuros longos nos últimos dias.

O setor siderúrgico também teve forte queda, com Usiminas afetada por corte na recomendação pelo Bank of America Merrill Lynch, enquanto Gerdau sofreu após o Departamento de Comércio dos Estados Unidos reverter decisão preliminar que impunha direitos antidumping sobre as importações de vergalhões de aço da Turquia.

Entre os poucos papéis em alta, Embraer avançou mais de 3 por cento, com alguns agentes no mercado atrelando o movimento à valorização do dólar frente ao real, o que beneficia a empresa que gera grande parte de sua receita com exportações.

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