17 de Setembro de 2014 / às 21:14 / em 3 anos

Fed renova promessa de juros perto de zero, mas indica alta mais acentuada

WASHINGTON (Reuters) - O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, reafirmou nesta quarta-feira a promessa de manter as taxas de juros perto de zero por um “horizonte relevante”, mas divulgou projeções que sugerem que poderá elevar o custo dos empréstimos um pouco mais rápido do que se pensava há alguns meses.

Muitos economistas e operadores esperavam que o Fed mudasse a orientação futura sobre os juros que tem fornecido desde março, dada a melhora em geral nos indicadores de desempenho da economia.

Mas o Fed repetiu a garantia de que os juros continuarão ultrabaixos por um “horizonte relevante” após o fim do programa de compra de títulos. Em comunicado após reunião de dois dias, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) anunciou outra redução de 10 bilhões de dólares em suas compras mensais de ativos, colocando o programa no caminho de acabar no próximo mês.

O comunicado foi praticamente o mesmo de julho, mas as novas projeções mostraram divergências entre a visão do BC norte-americano sobre onde as taxas de juros devem estar nos anos seguintes em relação àquela em que os mercados financeiros têm apostado.

“Ainda que a expressão muito analisada ‘horizonte relevante’ tenha permanecido no comunicado do Fomc, o novo esquema de normalização da taxa de juro mostra que taxas maiores estão agora no jogo”, disse o sócio da Again Capital LLC, John Kilduff, em Nova York.

O presidente do Fed de Dallas, Richard Fisher, e o presidente do Fed da Filadélfia, Charles Plosser, foram dissidentes, ao argumentarem que a orientação sobre os juros pode amarrar as mãos do banco central caso ele sinta que deve agir mais rápido para apertar a política monetária.

O Fed tem mantido sua taxa básica perto de zero desde dezembro de 2008 e mais do que quadruplicou seu balanço patrimonial para 4,4 trilhões de dólares através de uma série de programas de compra de ativos.

Em mais um sinal de que o banco central não tem pressa para começar a aumentar o juro, o Fomc repetiu sua avaliação de que um capacidade ociosa “significativa” permanece no mercado de trabalho dos EUA.

As ações pouco se moveram após a divulgação do comunicado, enquanto o dólar atingiu o nível mais alto ante o iene japonês desde setembro de 2008. Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA subiram, com os operadores precificando a possibilidade de juros mais altos no futuro.

A mudança mais significativa foi na nova projeção para taxa de juro, sugerindo que autoridades do Fed estão se posicionando para um ritmo possivelmente mais rápido da alta do juro do que eles imaginavam quando foram publicadas as previsões anteriores em junho.

Para o fim do próximo ano, a mediana das projeções subiu para 1,375 por cento, contra 1,125 por cento em junho, enquanto a projeção para o fim de 2016 foi elevada a 2,875 ante 2,50 por cento. Para 2017, a mediana permaneceu em 3,75 por cento, nível que as autoridades consideram não ser nem restritivo nem estimulador.

Em contraste, os futuros dos juros nos EUA para dezembro de 2015 implicam uma taxa de 0,745 por cento. Os contratos para dezembro de 2016 apontam para taxa de 1,85 por cento.

O economista-chefe da RBC Global Asset, Eric Lascelles, em Toronto, disse que as projeções do Fed para o juro em 2017 são “chocantes”.

“Eu imaginava que levariam mais alguns anos para ter toda essa alta até o que eles entendem ser o juro neutro”, disse ele.

A chair do Fed, Janert Yellen, minimizou o tema em entrevista coletiva após a divulgação do comunicado do Fomc.

“Eu diria que há um movimento de alta (na taxa de juro básica) relativamente pequeno”, disse ela a jornalistas. “Eu vejo isso como amplamente em linha com o que esperaria com uma pequena redução no ritmo do desemprego e uma muito sutil mudança para cima na projeção de inflação”.

ESTRATÉGIA DE SAÍDA

O Fed também divulgou um novo plano para a sua chamada estratégia de saída, esboçando medidas importantes que planeja adotar ao sair de uma política monetária mais frouxa para uma mais normal. Entre seus planos, o Fed disse que espera encerrar ou diminuir o reinvestimento dos rendimentos do seu enorme estoque de títulos em algum momento após começar a elevar a taxa de juros, dependendo da situação da economia.

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