18 de Setembro de 2014 / às 18:54 / 3 anos atrás

Verão brasileiro terá chuvas acima da média, mas sem excessos, diz Somar

SÃO PAULO (Reuters) - A primavera no Brasil terá uma regularização de chuvas apenas a partir da segunda metade de outubro, enquanto o verão brasileiro verá precipitações acima da média na maior parte do país, mas em volumes que não deverão ser excessivos ao ponto de trazer uma folga aos reservatórios de água para o período seco de inverno, afirmou a Somar Meteorologia em projeção nesta quinta-feira.

As chuvas apenas um pouco mais volumosas do que a média no verão ocorrerão com influência de um fenômeno El Niño mais fraco, mas ainda assim serão benéficas para a agricultura e vão melhorar o nível dos reservatórios, cessando temporariamente conversas sobre racionamentos.

O verão de 2014 foi um dos mais secos da história recente do país, trazendo o fantasma da falta d'água para a região metropolitana de São Paulo e problemas com geração das usinas hidrelétricas.

"No próximo verão, vamos ter bons episódios de chuvas, contudo não será nenhuma maravilha, não é chuva que regulariza sistemas, mananciais... tanto no Sudeste quanto no Centro-Oeste. Mas serão chuvas muito melhores que no verão de 2014", disse o meteorologista Marco Antonio dos Santos, da Somar.

Se o El Niño, que se caracteriza pelo aquecimento da superfície das águas equatoriais do Oceano Pacífico fosse forte, aí sim o centro-sul brasileiro teria chuvas expressivas, o que poderia dar folga aos reservatórios, enquanto o Nordeste sofreria com uma seca severa.

Embora se espere um verão mais chuvoso no país, a Somar não descarta alguns períodos curtos de estiagem e alerta que o Rio Grande do Sul pode ver proporcionalmente menos chuva do que outras regiões, com um El Niño mais fraco.

Para exemplificar, em algumas áreas do centro-sul do Brasil, o próximo verão poderia ter chuvas acumuladas de 500 a 700 milímetros, ante uma média histórica de 500 mm e apenas 200 mm do último verão, disse Santos.

A temporada mais quente do Brasil em 2015, em resumo, seria muito semelhante à de 2013.

PRIMAVERA

No padrão climático do atual El Niño, as chuvas da primavera, prestes a começar, vão chegar com grande irregularidade nos próximos 30 dias, para Centro-Oeste e Sudeste, ficando mais concentradas no Sul.

Isso afetará o plantio do arroz e prejudicará as lavouras de trigo, especialmente as mais tardias, no Rio Grande do Sul.

No Centro-Oeste e Sudeste, até a regularização das chuvas, que deve ocorrer na segunda quinzena de outubro, o plantio das lavouras de verão, como soja, milho e feijão, além das hortaliças, será dificultado.

"Em São Paulo ainda chove um pouco melhor (no final de setembro), pois vamos ter a passagem de duas frentes frias, neste final de semana e no final de semana que vem, que trarão chuvas para o sul e leste de São Paulo, pegando um pouco do extremo sul de Minas Gerais", projetou Santos.

Uma regularização antecipada de chuvas de primavera, que não virá como o esperado anteriormente, diante do El Niño fraco, seria importante para produtores de soja anteciparem o plantio com vistas em uma segunda safra de milho --e algodão em algumas áreas-- semeada dentro da janela ideal de clima.

Mesmo assim, o plantio de soja da safra 2014/15 está começando em Mato Grosso, Estado que responde por cerca de 30 por cento da produção do grão no Brasil, o segundo produtor mundial atrás dos Estados Unidos.

Alguns produtores, portanto, estão arriscando plantar sem a regularização das precipitações, algo que não afeta as perspectivas gerais de uma safra recorde, com um forte crescimento de área e boa umidade esperada no verão.

Produtores de café e cana do centro-sul, afetados pela forte seca do início do ano e também por chuvas fracas nos últimos meses, também deverão ser beneficiados por maiores volumes de chuvas a partir de meados de outubro.

No caso do café, a colheita de 2014 está quase concluída, e os cafeicultores no maior produtor global esperam umidade para uma boa florada para 2015.

Na cana, chuvas antecipadas poderiam beneficiar o desenvolvimento da safra de 2015, embora possam afetar a parte final da moagem de 2014.

Edição de Gustavo Bonato

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