19 de Setembro de 2014 / às 15:34 / 3 anos atrás

Mega projeto de gás da Rússia torna-se símbolo de desafio a sanções

MOSCOU (Reuters) - Dezenas de empreendimentos energéticos russos estão em perigo devido às sanções ocidentais sobre tecnologia e financiamento. Pairando sobre todos eles, um projeto gigante que o Kremlin precisa salvar, não importa como.

O plano de Yamal, um investimento de 27 bilhões de dólares para explorar as vastas reservas de gás natural no noroeste da Sibéria, pretende dobrar a participação da Rússia no mercado de rápido crescimento de gás natural liquefeito. Se o projeto se sustentar, irá mostrar ao Ocidente que a maior indústria de energia do mundo não está rachando sob as sanções.

A Rússia disse que vai se certificar de que Yamal tem os recursos necessários para se manter em construção. Mas essa promessa será testada: o gás de Yamal é tão distante no norte do Ártico que requer tecnologia especializada muitas vezes fornecidas pelos parceiros ocidentais - muitos dos quais não serão capazes de operar por causa das restrições.

E, enquanto os acionistas da Yamal já investiram 6 bilhões de dólares no projeto, ações dos Estados Unidos e da União Europeia cortaram efetivamente até agora o acesso da empresa de energia russa a empréstimos ocidentais.

No entanto, os banqueiros e analistas que retornaram de uma viagem recente a Yamal disseram que estavam impressionados com o status do projeto.

Alguns diziam que era difícil definir se o acionista controlador da Yamal, a empresa de gás Novatek, e seu co-proprietário bilionário Gennady Timchenko estavam sujeitos a algumas das sanções mais severas dos Estados Unidos e da União Europeia que visam Vladimir Putin, depois que a Rússia anexou a Crimeia, da Ucrânia, e emprestou apoio para os separatistas pró-Rússia.

“Fiquei surpreso com o ritmo e a quantidade de trabalho que já foi realizado”, disse Maxim Moshkov, analista de petróleo do UBS.

Cerca de 6 mil pessoas estão atualmente trabalhando no projeto e o número vai subir para 15 mil no próximo ano.

“Eles trabalham dia e noite ... Depois de ter estado lá, eu percebi que o projeto provavelmente irá se tornar uma realidade”, disse Moshkov.

Andrey Polishchuk, do banco Raiffeisen, afirmou que “eles estão construindo um novo aeroporto, tanques de armazenamento. Navios estão vindo para um porto próximo, um após outro. Alguns descarregando mercadorias, outros esperando para descarregar.”

PARCEIROS PODEROSOS

Yamal tem parceiros poderosos: a petroleira francesa Total e a gigante chinesa CNPC.

A Total anunciou nesta semana que, apesar das sanções, não iria parar de trabalhar em Yamal e sugeriu que, dado que a Europa depende da Rússia para o consumo de um terço do seu gás, seria arriscado retardar o projeto.

Yamal começará as exportações em 2018 e já vendeu antecipadamente a maior parte de sua produção futura para os compradores na Europa e na Ásia. As exportações vão atingir 16,5 milhões de toneladas de gás natural liquefeito (GNL) por ano, equivalente a 6 meses de consumo de gás francês.

A Novatek, juntamente com o monopólio do gás da Gazprom, até agora tem escapado das sanções europeias, mas o fato dela estar na lista de sanções dos EUA faz com que seja quase impossível de arrecadar dinheiro para o projeto.

Então, está claro que a Total participará de Yamal. Mas sua capacidade de financiar sua participação nela através dos Estados Unidos ou bancos europeus foi drasticamente limitada.

“Podemos viver sem o gás russo na Europa? A resposta é não. Existem razões para viver sem ele? Eu acho --e eu não estou defendendo os interesses da Total na Rússia-- que não”, afirmou o chefe da Total, Christophe De Margerie, à Reuters.

Timchenko, co-proprietário da Novatek, também é uma força a ser considerada --a sua proximidade com o presidente russo, Vladimir Putin, faz dele um alvo para as sanções.

Timchenko disse que a China, que tem uma participação de 20 por cento em Yamal por meio da CNPC, concordou em emprestar 20 bilhões de dólares antes do fim de 2014.

Mas há ainda muito trabalho a fazer para receber esse empréstimo. Se a China não puder colocar o dinheiro, é provável que Putin o faça.

O governo russo, que acumulou a terceira maior reserva cambial do mundo de 460 bilhões, disse que vai investir o dinheiro em projetos rentáveis, que possam garantir pagamentos pesados para os cofres do Estado no futuro.

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