29 de Outubro de 2014 / às 12:38 / em 3 anos

Arrecadação soma R$90,7 bi, recorde para setembro, mas Receita fala em menor expansão em 2014

BRASÍLIA (Reuters) - O governo federal arrecadou 90,722 bilhões de reais em impostos e contribuições no mês passado, recorde para setembro e com alta real de 0,92 por cento sobre um ano antes, resultado influenciado por receitas extraordinárias em meio ao cenário de atividade econômica fraca.

Moeda de um real fotografada no Rio de Janeiro. 11/10/2010. REUTERS/Sergio Moraes

No ano até o mês passado, a arrecadação federal somou 862,510 bilhões de reais, alta real --descontando a inflação-- de 0,67 por cento sobre igual período de 2013, informou a Receita Federal nesta quarta-feira, que já fala em crescimento inferior a 1 por cento para 2014 todo.

O número de setembro veio um pouco abaixo do apontado em pesquisa Reuters com economistas, cuja mediana das expectativas era de que a arrecadação somaria 92 bilhões de reais no período.

Segundo a Receita, em setembro, a arrecadação foi influenciada pela receita extra de 1,637 bilhão de reais com o Refis, programa de parcelamento de débitos atrasados. Também pesaram os 8,399 bilhões de reais em desonerações fiscais, oriundas das diversas medidas adotadas pelo governo para tentar estimular a economia.

No ano, essas desonerações somaram 75,690 bilhões de reais até o mês passado, 35 por cento ao mais do que a cifra em igual período de 2013.

MENOS RECEITAS COM IMPOSTOS

A maioria dos tributos federais mostrou arrecadação menor no mês passado em relação setembro de 2013, segundo a Receita. O destaque ficou para as quedas reais de 6,12 por cento no Imposto sobre Importação; de 2,93 por cento no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); de 3,3 por cento na Cofins; e de 3,8 por cento no recolhimento de PIS e Pasep.

Diante desse cenário, a Receita indicou nova redução em sua estimativa de crescimento da arrecadação para este ano, para menos de 1 por cento se o cenário econômico atual for mantido.

Até então, a estimativa era de expansão real de 1 por cento neste ano, a menor variação desde 2009, quando havia ficado em 0,11 por cento e inferior ao crescimento de 4,08 por cento vista em 2013.

A baixa arrecadação, juntamente com a expansão dos gastos públicos, já acabou com as chances de a meta de superávit primário deste ano --de 99 bilhões de reais, ou 1,9 por cento do Produto Interno Bruto (PIB)-- ser cumprida, reforçando o quadro de deterioração dos indicadores da economia brasileira.

Em 12 meses encerrados em agosto, a economia do setor público para o pagamento dos juros da dívida pública foi de apenas 0,94 por cento do PIB.

O país entrou em recessão técnica no semestre passado e não tem dado sinais de recuperação mais consistente, um dos maiores desafios que a presidente reeleita Dilma Rousseff (PT) tem pela frente.

Por Luciana Otoni

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