29 de Outubro de 2014 / às 22:34 / 3 anos atrás

BC surpreende e eleva juros para 11,25% ao ano em decisão dividida

BRASÍLIA (Reuters) - Em decisão surpreendente, o Banco Central decidiu elevar os juros nesta quarta-feira, para 11,25 por cento, alegando que aumentaram os riscos para a inflação desde a última reunião em setembro, em um movimento visto por agentes do mercado como sinal de mudança na condução da política monetária.

Pedestre passa pela sede do Banco Central, em Brasília, em janeiro. 15/01/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino

A decisão, que não contou com o apoio de todos os membros da diretoria do BC, vem três dias depois da reeleição da presidente Dilma Rousseff para um segundo mandato, justamente em um momento em que os agentes econômicos, descontentes com os rumos da economia, buscam sinais de mudança na condução da política econômica.

“É uma surpresa para o mercado, mas é surpresa boa. É sinal de que é decisão para restabelecer a confiança no compromisso com a redução da inflação ao longo do tempo”, disse o economista-chefe da INVX Global Partners, Eduardo Velho.

Em comunicado, o BC disse que a “intensificação dos ajustes de preços relativos na economia tornou o balanço de riscos para a inflação menos favorável”.

”À vista disso, o Comitê considerou oportuno ajustar as condições monetárias de modo a garantir, a um custo menor, a prevalência de um cenário mais benigno para a inflação em 2015 e

2016”, disse o BC em comunicado.

Cinco diretores, inclusive o presidente do BC, Alexandre Tombini, votaram pela elevação de 0,25 ponto percentual, enquanto três votaram pela manutenção da taxa de juros em 11 por cento.

Pesquisa da Reuters mostrou que todos os 43 analistas consultados esperavam a manutenção da Selic.

Desde abril deste ano, quando a taxa passou de 10,75 por cento para 11 por cento, o BC não elevava a taxa de juros, apesar da inflação ter rompido o teto da meta em vários momentos.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula alta de 6,75 por cento em 12 meses até setembro, maior nível em quase três anos, acima do teto da meta do governo, de 4,5 por cento, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos.

A expectativa é que o aperto monetário continue nas próximas reuniões.

“Decisão de hoje é sinalização de alteração na condução da política monetária. O Copom não deve parar por aí, deve ser o reinício de um ciclo de aperto monetário”, disse o economista-chefe do Espírito Santo Investiment Bank, Jankiel Santos.

O economista-chefe do Banco J.Safra, Carlos Kawal, disse que o BC pode inclusive intensificar o ritmo de aperto nas próximas reuniões. “É possível aumentar o ritmo de alta para 0,5 ponto percentual em dezembro, 0,5 ponto percentual em janeiro e 0,25 ponto percentual na reunião seguinte”, disse.

A decisão também pode sinalizar que o governo irá usar também a política fiscal para conter a inflação, disse Eduardo Velho.

“Essa alta surpreendente indica que possivelmente a âncora monetária e a âncora fiscal serão usadas para combater a inflação e não somente a âncora cambial”, disse, acrescentando que o mercado deve reagir positivamente a decisão.

Reportagem adicional de Flavia Bohone, em São Paulo

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