31 de Outubro de 2014 / às 13:17 / em 3 anos

Governo central tem déficit primário recorde em setembro; no ano, resultado fica negativo

Moedas de um real fotografadas no Rio de Janeiro. 15/10/2010. REUTERS/Bruno Domingos

SÃO PAULO (Reuters) - O governo central (Tesouro, Banco Central e Previdência Social) registrou déficit primário de 20,399 bilhões de reais em setembro, pior resultado da série histórica, influenciado por menores receitas e por gastos com 13º salário de aposentados e pensionistas.

No acumulado do ano até o mês passado, a economia feita para o pagamento de juros ficou negativa em 15,706 bilhões de reais, informou o Tesouro Nacional nesta sexta-feira, no vermelho pela primeira vez também na série histórica, iniciada em 1997.

A meta do governo central deste ano é de 80,8 bilhões de reais neste ano. Para tentar cumpri-la, seriam necessários superávits primários mensais de mais de 30 bilhões de reais entre outubro e dezembro.

A política fiscal tem sido fortemente criticada por agentes econômicos pela falta de transparência e, no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff (PT), existe a expectativa de que mudanças podem vir como parte de uma política econômica ampla diferente.

Um dos sinais veio nesta semana do Banco Central, que surpreendeu ao elevar a Selic, citando a piora nos riscos de inflação. Uma das preocupações do governo é evitar rebaixamento na classificação de risco do país.

O resultado de setembro dificulta ainda o cumprimento da meta de superávit primário para o ano, de 99 bilhões de reais para o setor público consolidado (governo federal, Banco Central e Previdência), colocando a necessidade de o governo alterar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2014 para alterar o alvo fiscal.

O secretário do Tesouro, Arno Augustin, afirmou que o resultado de setembro é crucial para mudar a meta do ano e disse que vai mandar um decreto para alterar a meta do superávit primário de 2014 na LDO, sem informar, no entanto o novo patamar.

MENOS RECEITAS E MAIS GASTOS

Segundo o Tesouro, as receitas líquidas do governo central ficaram em 77,725 bilhões de reais, 5,7 por cento abaixo de agosto. No acumulado do ano, somaram 739,479 bilhões de reais até agosto, com alta de 6,4 por cento sobre igual período de 2013, num cenário de economia fraca.

Já as despesas atingiram 98,125 bilhões de reais em setembro, 5,6 por cento maiores frente ao mês anterior. De janeiro a setembro, somaram 755,185 bilhões de reais, 13,2 por cento acima de igual período de 2013.

Em setembro, o Tesouro registrou déficit de 6,764 bilhões de reais e a Previdência Social saldo negativo de 13,642 bilhões, num resultado influenciado pelo pagamento do 13º salário a aposentados e pensionistas.

Por Luciana Otoni

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