9 de Dezembro de 2014 / às 14:23 / 3 anos atrás

Tombini diz que trabalha para retomada da inflação à meta "o mais rápido possível"

Presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. REUTERS/Mike Theiler (UNITED STATES - Tags: BUSINESS POLITICS)

BRASÍLIA/SÃO PAULO (Reuters) - Ao mesmo tempo em que alertou que a inflação deve ficar mais alta nos próximos meses, o Banco Central trabalha para que ela retorne “o mais rápido possível” para a convergência à meta, disse o presidente do BC, Alexandre Tombini, em audiência na Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional nesta terça-feira.

“Olhando adiante, que do ponto de vista de política monetária me refiro aos próximos anos, o Banco Central, neste momento, trabalha para fazer com que a inflação retome o mais rápido possível à trajetória de convergência para a meta de 4,5 por cento ao ano. O horizonte de convergência com o qual trabalhamos se estende até o final de 2016”, disse.

Tombini afirmou ainda que apesar do esforço do BC ter como foco a trajetória da inflação nos próximos dois anos, deve-se considerar que os ganhos decorrentes da esperada convergência da inflação para a trajetória de metas serão estendidos por vários anos, “podendo, inclusive, ter caráter de permanência”.

Mas alertou que a alta dos preços deve ser ainda maior do que os atuais níveis nos próximos meses, diante da intensificação dos ajustes nos preços relativos, com avanço do dólar sobre o real e preços administrados, piorando os riscos da inflação. Entre setembro e novembro, a moeda norte-americana teve valorização de quase 15 por cento sobre o real.

“Por conseguinte, entendo que não deveria ser tomado como surpresa, nos próximos meses, um cenário que contempla inflação acima dos níveis em que atualmente se encontra”, disse.

O IPCA acumulou alta de 6,56 por cento em 12 meses até novembro, acima do teto da meta de inflação do governo, de 4,5 por cento, com tolerância de dois pontos percentuais para mais ou menos.

Na semana passada, o BC acelerou o passo e elevou a Selic em 0,5 ponto percentual, para 11,75 por cento ao ano, mas deixou em aberto a possibilidade de voltar a desacelerar em breve.

Naquele momento, parte dos especialistas entendeu que essa sinalização veio porque o BC estaria à espera de sinais concretos de como será a política fiscal da nova equipe econômica, formada por Tombini e os ministros indicados Joaquim Levy (Fazenda) e Nelson Barbosa (Planejamento)'.

Na audiência na comissão, Tombini disse que a meta de superávit primário de 2015, recentemente anunciada, é neutra ou “ligeiramente contracionista” e que acredita que apesar de ser um objetivo “duro”, ele é “factível”.

“O superávit anunciado pelo futuro ministro da Fazenda, dado o atual momento da economia... traz política fiscal para o campo neutro, talvez ligeiramente contracionista”, afirmou Tombini. “Quanto mais apertada a política fiscal, tanto melhor para a autoridade monetára”.

A nova equipe econômica informou que a nova meta ajustada para o superávit primário de 2015 é equivalente a 1,2 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) e levou em consideração projeções feitas pelo mercado para a economia.

O presidente do BC afirmou ainda estar convicto que após um período de inflação possivelmente em elevação, “a inflação em 12 meses iniciará um longo período de declínio, que vai culminar com o atingimento da meta de 4,5 por cento ao ano”.

CÂMBIO

Sobre câmbio, Tombini disse que o programa de swap cambial do BC tem atingido “plenamente seus objetivos” de fornecer proteção e que a autoridade monetária não tem a intenção de reverter as posições de swaps. Ele afirmou ainda que os estoques de swaps devem ser renovados no futuro, observadas as condições de demanda.

“Esse estoque de swaps vem sendo administrado em operações que são renovadas mensalmente, vencem quase que uniformemente ao longo dos próximos trimestres e devem continuar a ser renovadas no futuro, observadas as condições de demanda”, afirmou ele, lembrando que pelo lado da liquidez, o BC também atua por meio de leilões de venda de dólares com compromisso de recompra, como já fez neste mês.

“Temos duas semanas para acompanhar o mercado de câmbio”, disse ele a jornalistas, ao ser questionado sobre a continuidade do programa.

Atualmente, o BC realiza leilões diários com oferta de até 4 mil swaps cambiais. Além disso, o BC tem realizado leilões diários para rolagem de contratos vencendo no mês seguinte.

Questionado por um parlamentar sobre a relação com os novos membros da equipe econômica, Tombini disse que trabalhará de forma articulada com eles.

Sobre o cenário externo, o presidente do BC disse que a situação atual da economia continua complexa, “mas tende a favorecer o processo de retomada da atividade no Brasil e de convergência da nossa inflação para a meta”.

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