13 de Dezembro de 2014 / às 00:17 / em 3 anos

Petrobras adia novamente divulgação de balanço por "novos fatos" da Lava Jato

Sede da Petrobras no Rio de Janeiro, em novembro. 14/11/2014Sergio Moraes

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A Petrobras adiou a divulgação das demonstrações contábeis não auditadas do terceiro trimestre de 2014 para até 31 de janeiro, devido a "novos fatos" relacionados à operação Lava Jato que investiga um suposto esquema de corrupção na estatal.

O novo adiamento foi possível porque os credores aceitaram mudanças nos termos contratuais dos bônus (covenants) que tratam dos prazos para a apresentação dos resultados, eliminando o risco de a empresa ter que pagar antecipadamente parte da dívida crescente, informou a estatal em fato relavante nesta sexta-feira.

A Petrobras divulgou apenas alguns indicadores operacionais e informações econômico-financeiras que acredita não serão afetados por eventuais baixas contábeis que possivelmente terão que ser feitas por conta dos resultados das investigações.

O endividamento líquido da empresa fechou o terceiro trimestre em 261,45 bilhões de reais, aumento de 35,5 por cento em relação período do ano passado. Da dívida total de 331,7 bilhões de reais, 28,2 bilhões de reais vencem no curto prazo.

Este foi o segundo adiamento da divulgação dos resultados, esperada inicialmente para o início de novembro, por conta da Lava Jato, que investiga um esquema de corrupção em obras da estatal, envolvendo empreiteiras e pagamentos ilegais a políticos, que levou auditores independentes a se negarem a assinar o balanço do terceiro trimestre.

O adiamento da divulgação e as incertezas relativas às investigações estão deixando a Petrobras com menos opções de financiamento de seu gigantesco plano de investimento.

Mas a estatal informou nesta sexta-feira que está adotando uma série de medidas que visam eliminar a necessidade de captação de recursos no próximo ano, como a "redução do ritmo dos investimentos projetados" e a antecipação de recebíveis.

"Essas ações asseguram fluxo de caixa livre positivo no próximo ano, considerando preços de petróleo em torno de 70 dólares por barril e taxa de câmbio em torno de 2,60 reais por dólar", disse a estatal em fato relevante.

A Petrobras informou que fechou o terceiro trimestre com 62,4 bilhões de reais em caixa e equivalentes de caixa, e que conseguiu gerar um fluxo de caixa positivo no trimestre de 4,25 bilhões de reais, ante fluxo negativo de 5,23 bilhões de reais no mesmo período do ano passado.

Entretanto, o cenário para o petróleo não é nada animador para a Petrobras do ponto de vista dos parâmetros que ela colocou para ter um fluxo de caixa positivo em 2015.

O petróleo Brent atingiu nesta sexta-feira uma nova mínima de cinco anos, fechando a 61,85 dólares, com a expectativa de uma oferta maior no próximo ano. Diante deste cenário, a Agência Internacional de Energia (AIE) prevê preços ainda mais pressionados em 2015. O dólar fechou nesta sexta-feira cotado a 2,65 reais.

Outra ameaça enfrentada pela Petrobras --essa ligada à Lava Jato-- é a investigação iniciada pelo órgão regulador de mercados dos Estados Unidos, a Securities and Exchange

Commission (SEC), que também contribuiu para o adiamento da divulgação do balanço não auditado.

Nesta semana, a Petrobras também se tornou objeto de ações coletivas de investidores nos Estados Unidos que buscam indenizações por se sentirem prejudicados pelo suposto esquema de corrupção na estatal.

No plano interno, nesta sexta-feira, a Justiça Federal do Paraná (JFPR) acatou as primeiras denúncias apresentadas pelo Ministério Público Federal (MPF) no caso que investiga suposto esquema de corrupção.

RECEITA CRESCE

Mas a estatal anunciou alguns dados positivos no lado operacional.

A receita de vendas somou 88,4 bilhões de reais no terceiro trimestre, alta de 13,7 por cento frente ao mesmo trimestre de 2013 e de 7 por cento em relação aos três meses anteriores.

Segundo a empresa, o aumento em relação ao segundo trimestre foi devido às maiores exportações de petróleo e ao aumento da demanda no mercado interno, principalmente diesel, suportada na maior parte pela produção nacional de derivados.

A empresa vendeu um total de 1,049 milhão de barris por dia de diesel no terceiro trimestre, alta de 1,75 por cento frente ao mesmo período do ano passado e 5 por cento superior ao trimestre anterior.

Já as vendas de gasolina no terceiro trimestre somaram 616 mil barris por dia, alta de 4,9 por centro em relação ao mesmo trimestre de 2013 e quase estável em relação ao segundo trimestre deste ano.

As importações de derivados, que tanto afetam as contas as empresa, caíram 16,8 por cento no terceiro trimestre em relação ao mesmo período de 2013, para 410 mil barris de derivados por dia, enquanto as exportações de petróleo subiram 56,8 por cento, para 323 mil barris por dia.

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