1 de Janeiro de 2015 / às 19:23 / em 3 anos

Dilma defende na posse ajustes na economia para país crescer e reforma política

BRASÍLIA (Reuters) - A presidente Dilma Rousseff afirmou em seu discurso de posse, nesta quinta-feira, que a retomada do crescimento da economia brasileira passa pelo ajuste nas contas públicas, que prometeu fazer com o menor sacrifício para os mais pobres.

Presidente Dilma Rousseff acena para o público ao chegar no Palácio do Planalto após tomar posse no Congresso, em Brasília. 1/01/2015. REUTERS/Ueslei Marcelino

Dilma, de 67 anos, assume o segundo mandato depois da mais acirrada eleição presidencial desde a redemocratização e sob fortes críticas pela estagnação da economia e em meio ao maior escândalo de corrupção da história do país.

Ao ser reempossada presidente no Congresso Nacional, voltou a defender a reforma política e também afirmou que conta com o apoio de sua base aliada no Legislativo para promover as mudanças que pretende fazer no novo período de governo.

“Mais que ninguém sei que o Brasil precisa voltar a crescer. Os primeiros passos desta caminhada passam por um ajuste nas contas públicas, um aumento na poupança interna, a ampliação do investimento e a elevação da produtividade da economia”, disse Dilma em seu discurso, que durou mais de 40 minutos.

“Faremos isso com o menor sacrifício possível para a população, em especial para os mais necessitados”, acrescentou.

Dilma, a primeira mulher presidente do Brasil, assumiu o segundo mandato ao lado de seu vice, Michel Temer, e tem pela frente um cenário de fragilidade econômica e incerteza política.

Ao assumir o mandato anterior, em 2011, Dilma se beneficiava da economia crescendo 7,5 por cento. Enquanto em 2014, a economia deve expandir só 0,2 por cento, segundo previsão do Banco Central.

O cenário para as contas públicas também é desfavorável para a presidente, que teve de enfrentar uma dura batalha no Congresso no final de 2014 para aprovar uma mudança na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que, na prática, desobrigou o governo de realizar um superávit primário no ano passado.

Assim como fez no discurso de posse para seu primeiro mandato em 2011, Dilma voltou a defender a necessidade de uma reforma política e, em um momento que parece refém de sua base aliada no Parlamento, disse contar com o apoio dos partidos que compõem sua base.

”Sei que conto com o forte apoio da minha base aliada, de cada liderança partidária de nossa base e com os ministros e ministras que estarão, a partir de hoje, trabalhando ao meu lado pelo Brasil, discursou a presidente.

“É inadiável, também, implantarmos práticas políticas mais modernas e éticas e, por isso mesmo, mais saudáveis. É isso que torna urgente e necessária a reforma política. Uma reforma profunda que é responsabilidade constitucional desta Casa, mas que deve mobilizar toda a sociedade na busca de novos métodos e novos caminhos para nossa vida democrática.”

EXTIRPAR A CORRUPÇÃO

Dilma aproveitou seu discurso para propor um pacto nacional de combate à corrupção e, ao citar as denúncias de irregularidade na Petrobras (PETR4.SA), defendeu a apuração do caso, sem prejudicar a estatal, que ela classificou de “estratégica” para o país.

A presidente também anunciou que lançará no novo período de governo uma terceira versão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), uma segunda fase do programa de logística do governo federal e a construção de 3 milhões de unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida.

Dilma tratou também de política externa em seu discurso de posse e prometeu manter a prioridade para a América Latina e para países africanos, assim como da Ásia e dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

A presidente defendeu ainda como sendo de “grande relevância” o aprimoramento das relações do Brasil com os Estados Unidos, abaladas em seu primeiro mandato por conta do escândalo de espionagem da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA).

Reportagem adicional de Eduardo Simões, em São Paulo

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