6 de Janeiro de 2015 / às 18:33 / em 3 anos

Volkswagen demite 800 em fábrica no ABC, trabalhadores decidem por greve

SÃO PAULO (Reuters) - A Volkswagen do Brasil anunciou nesta terça-feira a demissão de 800 empregados de sua fábrica em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, e indicou que novos cortes poderão ocorrer adiante pelo mau momento do setor automotivo.

A decisão fez empregados da unidade, que produz os veículos Gol e Saveiro, aprovarem convocar greve por tempo indeterminado, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. A unidade empregava cerca de 13 mil trabalhadores antes dos cortes.

“Visando estabelecer condições para um futuro sólido e sustentável para a Unidade Anchieta, tendo como base o cenário de mercado e os desafios de competitividade, a Volkswagen do Brasil anuncia que haverá o desligamento de 800 empregados em sua fábrica no ABC Paulista, após período de licença remunerada de 30 dias”, informou a montadora em nota à imprensa.

O setor automotivo, importante fonte empregadora no país, foi beneficiado por reduções tributárias após a crise global de 2008/09, o que ajudou a manter as vendas de veículos no país em alta até 2012, quando o governo federal estendeu benefícios do IPI reduzido desde que as montadoras não demitissem.

Em 2013 e 2014, porém, as vendas de veículos no país amargaram queda e a expectativa é de nova redução neste ano. A associação de concessionários, Fenabrave, estimou mais cedo queda de 0,5 por cento nas vendas este ano.

Segundo a Volkswagen, as demissões representam a “primeira etapa de adequação de efetivo” e que “continua urgente a necessidade de adequação de efetivo e otimização de custos para melhorar as condições” da Unidade Anchieta.

A montadora também disse em nota que medidas paliativas adotadas desde 2013, como férias coletivas e suspensão temporária dos contratos de trabalho, não foram suficientes diante das expectativas para a indústria automotiva.

Além da baixa demanda interna, a companhia foi obrigada a deixar de produzir a Kombi e o popular Gol G4 em 2014 diante de nova legislação de segurança que entrou em vigor e obrigou os veículos do país a terem itens como airbag e freios ABS.

A Volkswagen terminou 2014 com vendas de 576,6 mil automóveis e comerciais leves, queda de 13,5 por cento sobre 2013, recuo maior que a queda de cerca de 7 por cento sofrida pelo segmento como um todo no ano passado.

Além disso, o modelo compacto Gol, perdeu liderança no segmento de veículos de entrada para o rival Palio, da Fiat, embora por uma margem de cerca de 400 carros, e seu também compacto Up ficou em quarto, atrás do Uno, da Fiat.

A montadora alemã disse ainda ter buscado alternativa com o sindicato, propondo adequar o quadro de empregados através da abertura de programas de demissão voluntária (PDV) com incentivo financeiro para saída de funcionários e da redução de temporária de terceirizados para alocação de parte do excedente de pessoal.

A Volkswagen informou que a proposta foi rejeitada em assembleia realizada em 2 de dezembro.

A empresa tem um plano de investimento de 10 bilhões de reais no Brasil entre 2012 e 2018, parte dos recursos vai para modernização de fábricas e renovação de modelos da empresa.

No final do ano passado, a Mercedes-Benz, do grupo Daimler, demitiu 244 funcionários também de fábrica de ônibus e caminhões em São Bernardo do Campo, segundo o sindicato.

Por Brad Haynes e Alberto Alerigi Jr.

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