9 de Janeiro de 2015 / às 11:48 / em 3 anos

Inflação fica em 6,41% em 2014, com alimentos e habitação, e segue pressionada neste ano

Cliente olha preços em supermercado em São Paulo.Nacho Doce (BRAZIL - Tags: BUSINESS)

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A inflação oficial brasileira encerrou 2014 em 6,41 por cento, pressionada principalmente pelos preços de alimentos e habitação, muito próxima do teto da meta oficial e sem dar sinais de arrefecimento em breve, mantendo a pressão sobre o Banco Central para conter a alta dos preços no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff.

Somente em dezembro, o IPCA avançou 0,78 por cento, após alta de 0,51 por cento em novembro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.

Em 2013, o indicador havia subido 5,91 por cento. No primeiro mandato da presidente, a inflação brasileira somou 27,03 por cento, com alta anual média de 6,17 por cento.

A meta oficial é de 4,5 por cento, com margem de 2 pontos percentuais para mais ou menos. O resultado do ano passado livrou por pouco, e mais uma vez, o presidente do BC, Alexandre Tombini, de ter que fazer uma carta aberta explicando os motivos do descumprimento do objetivo.

"No ano inteiro o IPCA mostrou que houve uma alta generalizada de preços. E para 2015 há uma inércia mais pesada por conta do histórico resistente", destacou a economista do Santander Tatiana Pinheiro, lembrando que pelo quinto ano seguido o IPCA ficou próximo ou acima de 6 por cento.

A última vez em que houve estouro da meta foi em 2003, primeiro ano do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando o IPCA encerrou com alta de 9,3 por cento. Em 2011, ano em que Dilma assumiu o governo, o índice ficou exatamente no limite máximo do objetivo atual, 6,50 por cento.

Os resultados divulgados nesta manhã ficaram em linha com a expectativa em pesquisa da Reuters, cujas medianas apontavam alta de 0,78 por cento em dezembro e de 6,42 por cento no ano passado.

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Gráfico de inflação: link.reuters.com/kuw76s

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ENERGIA ELÉTRICA

Segundo o IBGE, as despesas que mais aumentaram no ano passado foram as de Habitação, cuja alta acumulada chegou a 8,80 por cento contra 3,40 por cento em 2013. Com isso, o grupo teve impacto de 1,27 ponto percentual no índice de 2014, tendo como destaque a alta de 17,06 por cento da energia elétrica, contra queda de 15,66 por cento em 2013.

Não por menos, informou o IBGE, no ano passado os preços de administrados tiveram alta acumulada de 5,32 por cento, contra 1,55 por cento em 2013.

"A energia elétrica foi muito importante para conter a taxa de inflação em 2013, mas em 2014 ela pegou tudo que ficou para trás e ainda deixou sobrar mais um pouquinho", destacou a economista do IBGE Eulina Nunes dos Santos.

O maior impacto no IPCA em 2014 foi do grupo Alimentação e Bebidas, com 1,97 ponto percentual, com alta acumulada de 8,03 por cento, ante 8,48 por cento no ano anterior.

Destacaram-se também os avanços de 8,45 por cento dos preços de Educação e de 8,31 por cento de Despesas Pessoais.

A alta dos preços de serviços também pesou sobre a inflação, apesar de ter moderado ligeiramente, fechando o ano a 8,32 por cento, sobre 8,75 por cento no ano anterior.

Já na variação mensal, o maior destaque do IPCA em dezembro ficou para Alimentação e Bebidas, com alta de 1,08 por cento, após avanço de 0,77 por cento em novembro.

PRESSÃO CONTINUA

Os próximos meses serão marcados pelos reajustes de preços administrados, como eletricidade. O IBGE também destacou outros reajustes que devem ter impacto em janeiro, como água e esgoto, ônibus municipal e intermunicipal, táxi e cigarro.

Figura no horizonte ainda a valorização do dólar sobre o real, que atualmente ronda o patamar de 2,70 reais.

Tombini já sinalizou que o IPCA deve voltar a estourar o teto da meta em 12 meses neste início de ano, desacelerando o ritmo no segundo trimestre.

Para a economista-chefe da ARX Investimentos, Solange Srour, a inflação pode até mesmo alcançar cerca de 7,2 a 7,3 por cento em 12 meses em algum dos três primeiros meses do ano.

"A partir daí depende do câmbio. Será um ano de inflação muito pressionada, em parte por conta de uma herança que foi deixada de 2014", disse ela, referindo-se ao reajuste dos preços administrados.

Em outubro, o BC deu início a novo ciclo de aperto monetário que elevou a Selic para os atuais 11,75 por cento, e novas altas são esperadas. Ainda assim, economistas consultados na pesquisa Focus do próprio BC calculam que o IPCA encerrará 2015 acima do teto da meta, a 6,56 por cento.

Reportagem adicional de Walter Brandimarte, no Rio de Janeiro

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