9 de Janeiro de 2015 / às 15:43 / 3 anos atrás

Leilão de transmissão tem 2 lotes sem lances, Aneel melhorará retorno a investidor

SÃO PAULO (Reuters) - O primeiro leilão de transmissão de 2015 teve a espanhola Cymi Holding e CPFL Geração como vencedoras e dois lotes sem interessados que serão incluídos no próximo leilão, em abril, quando as condições para os investidores devem ser melhoradas.

Foram oferecidos quatro lotes para licitação no certame, com um total de 905 quilômetros de linhas de transmissão e investimentos que somariam 1,7 bilhão de reais. O mercado já esperava cautela por parte dos investidores diante das taxas de retorno possíveis na disputa, que não estariam de acordo com o aumento da percepção de risco.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que já estava avaliando readequações para leilões de transmissão futuros, informou que o custo médio ponderado de capital dado pelo WACC deverá ser elevado para o próximo certame, o que pode colaborar para elevação das Receitas Anuais Permitidas (RAP).

“Para o leilão que vamos realizar em abril, certamente, haverá diferenças ... Esse WACC será alterado um pouco para maior. A nossa expectativa é que o WACC seja aumentado, mas o percentual específico nós não temos ainda”, disse o diretor da Aneel Reive Barros, em coletiva de imprensa após o leilão.

Outros temas que estão sendo reavaliados pela Aneel são problemas relacionados ao licenciamento ambiental e tempo necessário para entrega de equipamentos.

No leilão desta sexta-feira, dois lotes -- o F, em Rondônia, e o J, em Goiás -- não receberam lances. O diretor da Aneel André Pepitone disse que isso não tem relação com o valor da RAP estabelecida pela agência para a competição.

“Entendemos que (as RAPs) têm um valor adequado ... são questões de equipamentos.  Há uma questão de prazos envolvidos, de fornecimento pela indústria, e talvez isso aí tenha afetado esses dois lotes. É o que a gente vai reavaliar para voltar com esses dois lotes já no leilão de abril”, disse ele, na coletiva de imprensa.

O lote F vai permitir o escoamento da expansão das usinas do rio Madeira para as regiões Sudeste e Centro-Oeste. Já o lote J é importante para o controle de tensão de forma a estabilizar a interligação Norte-Sul, reforçando o sistema para o deslocamento de energia da hidrelétrica Belo Monte.

O leilão desta sexta-feira deveria ter ocorrido em dezembro do ano passado, mas a agência decidiu adiá-lo para este ano e excluiu seis lotes da competição para reavaliar as condições antes de licitá-los. O próximo leilão, em abril, além dos empreendimentos não licitados no leilão desta sexta-feira deverá contar com os outros seis lotes que foram excluídos.

“O grande desafio é que nós vamos acrescentar ao leilão de 2015 todos esses empreendimentos que não foram licitados em 2014 ... A avaliação que estamos fazendo é se vamos fazer um grande leilão em abril, considerando o que estava previsto para 2015 e o remanescente de 2014, que dá um valor considerável de investimentos, de 10 bilhões de reais, ou se vamos partilhar em dois leilões, um em abril e um em junho”, disse Reive Barros, da Aneel.

O número de 10 bilhões de reais em investimentos previstos nos empreendimentos a serem licitados em 2015 não inclui o segundo circuito de Belo Monte, que deverá ser licitado no fim do primeiro semestre ou início do segundo semestre, segundo o secretário-adjunto de Planejamento Energético do Ministério de Minas e Energia, Moacir Bertol.

Esse será um dos principais empreendimentos de transmissão a ser leiloado em 2015, com mais de 2 mil quilômetros de extensão de linha.

VENCEDORAS

O principal lote do leilão, que irá conectar parques eólicos localizados na Bahia para o escoamento da energia elétrica ao Sistema Interligado Nacional, ficou com a espanhola Cymi, que apresentou um lance de RAP de 144,6 milhões de reais, representando um deságio de 1,51 por cento ante o máximo permitido.

Já a CPFL Geração, do grupo CPFL Energia, levou o lote I, em São Paulo, com deságio de 32,59 por cento. A empresa receberá uma RAP de 10,8 milhões de reais por ano quando o empreendimento estiver em operação.

Formado pela subestação Morro Agudo, o lote I reforçará o suprimento de energia às cargas da região nordeste da CPFL, ajudando no escoamento de energia de biomassa de cana-de-açúcar.

“Pra nós, o importante é a razão daquele empreendimento para o sistema elétrico em que a CPFL atua. Nosso lance foi bem agressivo, nós não economizamos, na medida em que entendemos que deve ser feito o melhor lance possível”, disse o diretor de Engenharia da CPFL Energia, Paulo Bombassaro, em coletiva de imprensa.

Representantes da Cymi não estavam presentes na coletiva de imprensa após o leilão.

FONTES DE FINANCIAMENTO

Além de não ter ocorrido mudança nas condições do leilão em relação ao último realizado no ano passado, em que cinco lotes ficaram sem interesse, o leilão desta sexta-feira ainda teve uma redução da disponibilidade do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiamentos.

O banco de fomento anunciou na quinta-feira redução na sua participação nos financiamentos para até 50 por cento e aumento na sua taxa de remuneração básica para 1,2 por cento ao ano. Além disso, a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) está mais alta, a 5,5 por cento.

Reive Barros, da Aneel, disse que essa mudança para financiamentos do BNDES também é um fato que será considerado nas reavaliações de condições dos próximos leilões de transmissão. “O ideal é que tivessem outras fontes de financiamento. Mas essa é uma questão que a Aneel não tem controle”, disse.

O leilão desta sexta-feira contou com poucos lances, sendo que no primeiro lote licitado, o A, não houve competição. O outro lote vencido pela CPFL contou com apenas mais um lance, da espanhola Abengoa, que ofereceu deságio de 0,99 por cento.

A Eletrobras, uma das principais investidoras do setor de transmissão, informou na quarta-feira que ficaria de fora, para focar-se nas obras atrasadas e guardar fôlego para leilões futuros, de maior interesse.

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