20 de Janeiro de 2015 / às 11:34 / 3 anos atrás

China cresce 7,4% em 2014, abaixo da meta e ritmo mais lento em 24 anos

Kim Kyung-Hoon

PEQUIM (Reuters) - A economia da China cresceu no ritmo mais lento em 24 anos em 2014, com preços menores de propriedades e com companhias e governos locais enfrentando pesados fardos de dívida, o que mantém a pressão para que Pequim adote medidas agressivas para evitar uma desaceleração mais acentuada.

Para investidores preocupados com o crescimento da China e do mundo neste ano, os dados levantam duas perguntas:

Os números fracos e expectativas de mais fraqueza forçarão o banco central a injetar centenas de bilhões de dólares em todo o sistema bancário para incentivar o crescimento? Se a resposta for sim, o que isso significa para os esforços de Pequim para reformar sua economia?

A segunda maior economia do mundo cresceu 7,4 por cento em todo o ano de 2014, informou a Agência Nacional de Estatísticas nesta terça-feira, abaixo da meta de 7,5 por cento e marcando a expansão mais fraca desde 1990, quando o país foi afetado por sanções na esteira do massacre da praça da Paz Celestial. A economia havia crescido 7,7 por cento em 2013.

O crescimento no quarto trimestre permaneceu em 7,3 por cento na comparação com o ano anterior, levemente acima das expectativas.

Economistas consultados pela Reuters esperavam que o crescimento no quarto trimestre desacelerasse para 7,2 por cento ante 7,3 por cento no terceiro trimestre, atingindo o ritmo mais lento desde o primeiro trimestre de 2009, quando o crescimento desacelerou com força para 6,6 por cento.

Poucos esperavam que a China cumprisse a meta de 7,5 por cento para o ano, mas o desempenho foi melhor do que alguns temiam após alguns meses difíceis alimentarem preocupações com a possibilidade de a economia estar caminhando para uma desaceleração súbita.

"O período de crescimento miraculosamente veloz do país acabou, mas vamos superar isso", disse um comentário na agência oficial de notícias Xinhua, referindo-se ao longo período de expansão de dois dígitos.

"O fim da era de crescimento rápido não significa o fim da economia chinesa", acrescentou.

Na comparação trimestral, o crescimento econômico enfraqueceu para 1,5 por cento contra expectativa de 1,7 por cento e ante 1,9 por cento no terceiro trimestre.

MEDIDAS

Os dados de dezembro apresentaram várias surpresas após um novembro fraco.

A produção industrial avançou 7,9 por cento em dezembro sobre o ano anterior, contra expectativas de aumento de 7,4 por cento e uma alta de 7,2 por cento em novembro.

Já as vendas no varejo avançaram 11,9 por cento em dezembro sobre o ano anterior, acima das expectativas de analistas de 11,7 por cento.

Entretanto, o investimento em ativos fixos, importante motor do crescimento, desacelerou para avançou 15,7 por cento em todo o ano de 2014 sobre o ano anterior, permanecendo perto da mínima em 13 anos.

O aumento do investimento imobiliário desacelerou para mínima em cinco anos e as novas construções caíram, com a melhora das vendas de moradias no final do ano.

Uma série de modestas medidas de estímulo ao longo do ano fizeram pouco para impedir que a economia desacelerasse frente ao enfraquecimento do mercado imobiliário, excesso de capacidade industrial, enfraquecimento do investimentos e exportações erráticas.

Com a expectativa de mais enfraquecimento da economia chinesa neste ano, novas medidas de suporte são esperadas, embora economistas estejam divididos sobre quais ferramentas as autoridades irão usar e quando.

"Os números gerais reduzem a necessidade de mais estímulo, embora permaneça algum espaço para afrouxamento já que os riscos ainda permanecem", disse o economista do Crédit Agricole Dariusz Kowalczyk.

Ele acredita que o banco central irá cortar a taxa de juros novamente no primeiro trimestre, após ação inesperada em novembro, e reduzirá a taxa de compulsório dos bancos em 1 ponto percentual no primeiro semestre de 2015 em uma tentativa de aumentar o empréstimo.

Outros, entretanto, acham que Pequim pode ter que se mostrar mais agressivo, mas ao risco de criar bolhas, dada a necessidade de reduzir o peso da dívida em empresas chinesas uma vez que isso as impede de realizar novos investimentos.

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